Talvez o verdadeiro sonho de princesa fosse envelhecer ao lado de alguém
Crescemos romantizando o amor, mas ninguém nos ensinou a construir intimidade.
Relações a gente precisa ter a paciência de construir.
A Branca de Neve estava lá, inconsciente, e um belo dia acordou com o beijo do príncipe encantado.
Rapunzel estava trancafiada, até que um homem corajoso apareceu e a salvou.
Cinderela pediu ajuda à fada madrinha e conquistou o coração do homem mais rico da cidade.
Mas a gente acorda todos os dias ao lado do Shrek.
E o que “parece” ser algo ruim é, no fundo, o verdadeiro sonho de princesa.
As histórias dessas princesas terminam em um “viveram felizes para sempre” que nunca tivemos a chance de ver como realmente foi — ou como realmente é.
Já na história do Shrek, aquele homem não tão bonito, nem tão simples de lidar, protagoniza talvez a única história onde existe continuidade.
Há encontro, conquista, desentendimentos, ajustes e muita paciência. Até que a relação solidifica. Casam. Os filhos chegam.
E esse talvez seja o verdadeiro “felizes para sempre”.
A essa altura da vida, a gente já sabe que o “pra sempre” sempre acaba — seja pelo fim de um ciclo ou pelo fim da vida.
E também já entendemos que o eterno é enquanto dura.
Mas crescer tendo como referência de amor apenas a romantização das relações não ajudou em nada na maturidade emocional de nós, mulheres.
Amar é verbo.
E quando vira substantivo, morre.
Porque amar exige uma rotina que sustente o amor como verbo.
As relações que chegam inflamando o coração quase sempre terminam como as histórias das princesas: sem continuação.
Já as relações construídas sobre uma cama de paciência, um castelo de preservação da intimidade do casal, sapatos de cristal que servem aos dois e muita convivência real… continuam.
Continuam no acordar sem a maquiagem da alma.
Nos arrotos da personalidade autêntica.
Na louça lavada juntos.
Nos silêncios atravessados em companhia.
No fim, se nós, mulheres, fôssemos realmente honestas conosco, admitiríamos que o verdadeiro sonho de princesa talvez seja ter a dádiva de envelhecer ao lado de alguém.
E, para isso, é preciso paciência.
Ninguém nasce pronto.
Relações não ficam prontas no tempo de preparar um miojo.
São dois mundos colidindo até aprenderem, aos poucos, a caber um dentro do outro.
E é devagar que aprendemos a desligar nossos alarmes de proteção.
É na convivência cotidiana que desaprendemos padrões que nos afastavam justamente daquilo que mais desejávamos.
E talvez amar seja isso:
- Encontrar alguém que permaneça tempo suficiente para nos enxergar além das versões bonitas.
Alguém diante de quem, aos poucos, a armadura deixa de ser necessária.
Porque, no fim, o verdadeiro sonho nunca foi o príncipe.
Era construir um lugar onde o amor pudesse tirar os sapatos, sentar à mesa, dividir a louça, o silêncio, os medos — e ainda assim escolher ficar.
Talvez o “felizes para sempre” nunca tenha sido sobre perfeição.
Talvez sempre tenha sido sobre continuidade.
Com amor
Milla Dalbem
Eu adoraria conhecer um pouco das histórias de amor de vocês que estão por aqui.
Me conta:
o que faz você se sentir amado(a)?
E qual é a versão de amor que você tem para oferecer?
Acredito que, fora da romantização, pouco se fala sobre isso de forma real.
E aproveitando…
vocês acreditam em alma gêmea?
Gostariam de ler um texto por aqui sobre esse assunto?
Me deixa um comentário ou me manda um e-mail.
Vou amar ler vocês.
Beijos,
Milla

