Eu juro que tentei encontrar milhares de explicações para meu sumiço, meu desaparecimento, minha ausência - aqui e na vida real.
Em alguns momentos eu chamei de ansiedade; outras vezes pensei que estava entrando nos submundos da depressão, again.
E a pessoa que mais me cobrou sobre isso, sobre minha falta de disciplina em show up every day, fui eu mesma.
Como assim eu comecei a postar todos os dias e parei de novo? Que autossabotagem tão maluca está encrustada no meu subconsciente que não consigo dar continuidade ao meu canal?
Talvez seja por isso que eu ainda não “estourei” a bolha da internet. Talvez seja por isso que eu não me tornei um sucesso ainda.
Talvez, talvez, talvez…
… eu não quero isso de verdade.
A real é que em certo ponto, eu também não quis mais nem escrever. Eu havia criado uma linha editorial. Por 10 semanas, eu escreveria textos que alimentavam uma ideia; seria como a construção de um entendimento.
Desisti no sétimo texto da sequência. No oitavo, eu escrevi o tema no título, mas, conforme escrevi, o que fluiu no papel não tinha nada a ver com o título nem com a sequência. Mudei o título e abandonei a sequência.
A cobrança interna e as vozes que me cobram estão lá, fazendo com que eu fuja mais e mais do papel, da câmera e da inteligência artificial que eu configurei para me tornar rica - tenho medo hoje de perguntar qualquer coisa para ela, pois ela vai me responder que estou desviando do foco e não farei 1M em 12 meses com essa pergunta, muito menos querendo mudar a cor de fundo do meu blog.
Escrevo essas palavras enquanto tomo meu café - hot, black, plain.
Meu filho já foi para a escola e é meu dia de folga, e confesso que esse momento no meio da manhã sozinha e em silêncio, tem seu valor.
Na companhia do meu café e do livro que estou lendo no Kindle “A primeira luz da manhã - Thrity Umrigar”, percebo o tanto que é deliciosa a sabedoria da idade.
Saboreio cada segundo desse momento pensando na delícia que é ter cada vez menos amigos, coisas, estímulos. Como é encantador o sentimento de voltar para si.
Percebo que minha ausência nunca foi fuga ou falta de responsabilidade ou autosabotagem. Percebo que no fim, eu fugi para me encontrar em mim. Nesses momentos. Nessa plenitude, só uma vida com menos pode me favorecer.
Mas eu não vou mentir para você: eu ainda quero o canal. Ainda quero que minhas palavras cheguem longe, ainda quero viver disso. A diferença é que talvez eu não queira do jeito que eu estava tentando, na marra, contra mim. Talvez o caminho para eu aparecer, passe primeiro, pelos dias em que eu desapareço.
Começo a achar que não são só os psicodélicos que libertam nossa mente - a solitude também!
Com amor.
Milla Dalbem
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E antes de ir, me conta: Qual é o seu momento de silêncio que ninguém pode tirar de você?
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