Nem todos os dias eu me venço
Por que você entende tudo sobre você e continua não mudando — e o check-in de quatro etapas que eu faço toda noite há cinco anos
A água escorre por meu corpo no banho quente. Gosto de colocar uma música no repete, pois algo sobre a repetição da música com a temperatura da água parece me colocar em um transe.
E mais uma vez, ou seria pela milésima vez, penso no porquê de estarmos aqui. Qual é o sentido da vida?
A primeira vez que me perguntei isso, eu era apenas uma garotinha. Tantas vezes me perguntei isso com raiva, algumas tantas vezes com uma confusão nausente, e agora depois de tantos anos me dedicando ao caminho, me pergunto com curiosidade.
Mas no final das contas: por que mesmo?
Eu não sei se você já achou uma resposta. E até acho uma covardia eu te contar a explicação que encontrei, porque ela veio de dentro da minha alma, e eu desejo que você também possa encontrar a resposta aí dentro de você em algum momento.
Mas uma coisa eu tirei dessa busca sem fim - eu quero ser melhor a cada dia.
Algumas pessoas colocam toda a atenção delas em enriquecer, em ter alta performance, em ter sucesso. Eu escolhi ser melhor.
Não do que ninguém, porque no final das contas essa é uma competição injusta.
Mas melhor do que a mim mesma.
E com esse desejo, um pensamento correu por mim um desses dias aí atrás:
A verdade é que pouco aprendemos sobre isso fora dos sistemas religiosos. Eu não quero ser melhor por temer o inferno, inclusive eu já estive lá, mas fica um texto para outra hora. Também não quero ser melhor para merecer o céu, pois também não acredito que haja um síndico na porta de entrada, decidindo quem entra.
Quero ser melhor porque eu encontro sentido em existir. Ser a minha melhor versão se tornou o motivo de levantar da cama todos os dias. Essa construção de mim mesma é o que me incentiva e me ensina a amar (a mim mesma, todo dia um pouquinho mais).
Quero deitar no travesseiro sendo amante da minha própria personalidade, em paz com as minhas escolhas e tranquila porque minha consciência repousa satisfeita.
E sim, eu já acessei essa paz algumas vezes na minha vida; esse nível de amor-próprio em que estar presente em meu corpo e na companhia da minha consciência é prazeroso. E por ter tido o mérito de sentir isso uma vez, a minha busca por viver nesse estado de paz se tornou uma obsessão.
Mas como acessar isso fora da psicodelia? Fora da religião? Fora do misticismo?
Eu precisei desenvolver disciplina interna para alcançar, de vez em quando, esse estado de graça interna.
Como uma pessoa que busca enriquecer, ele vai precisar acessar suas finanças todos os dias; vai precisar ver seus investimentos e acompanhar as flutuações da bolsa ao longo do dia.
Para quem quer alta performance, não é diferente: a disciplina se cobra na alimentação, no mindset, na constância dos exercícios.
Quem quer se aperfeiçoar como ser humano também precisa ter a disciplina de checar suas métricas diariamente.
Só que ninguém havia me ensinado quais métricas eram essas, ou como fazer para ser uma pessoa melhor.
Até que, ao longo desses anos, eu fui aperfeiçoando o tempo que eu tirava para mim. Eu sempre senti a necessidade de estar sozinha em silêncio, nem que fosse apenas 5 minutos todos os dias. Do silêncio, da meditação, de exercícios de respiração, eu encontrei uma rotina de 4 passos que passou a funcionar quase que perfeitamente para mim.
E abrindo minha intimidade de forma bem íntima mesmo, compartilho esses passos aqui com vocês:
Breathawareness
Sento-me na cama, em lótus, ou deito-me.
Começo com breath awareness - que é o ato de perceber a respiração (como ela entra e como ela sai, temperatura, ritmo, amplitude). Não existe certo ou errado aqui. Não mudo nada, não uso nenhuma técnica. Apenas presença.
Perceber meu corpo
Relaxo e percorro meu corpo, perguntando a ele como ele se sente: existe dor, pressão ou tensão em algum lugar?
Se não houver relaxo ainda mais.
Se houver reclamações do meu corpo, tento levar minha atenção e minha respiração para esse local. E pergunto: o que isso quer me dizer?
Cleansing Breath
Respiração de resfriamento do sistema nervoso mais respiração circular* - por 10 minutos.
Após esses 10 minutos, eu apenas observo o que surge em minha mente, as imagens, memórias, sensações. Se possível, anoto tudinho, pois quase sempre é meu subconsciente se comunicando comigo.
Better Me
Aqui é o meu check-in “moral”.
Sinto como se estivesse em reunião: eu, minha consciência e a virtude que estou buscando desenvolver. E ficamos ali, falando/pensando sobre todos os momentos em que eu pude praticar essa virtude ou nas oportunidades em que não tive maturidade ou inteligência emocional o suficiente para sustentar essa virtude em meu dia.
Vale ressaltar que eu tenho uma voz interna compassiva para essa conversa - inclusive isso é um tema interessante para conversarmos futuramente. Eu não uso desse momento como um teste. É apenas tomada de consciência. Sem autocrítica inflamada.
Encerro minha prática com o caderno da Gratidão, porque sem gratidão eu seria uma jovem mística de araque (rs).
Durmo, amanhã me pergunto quem quero ser e continuo.
Esse sistema faz sentido para mim, principalmente por não acreditar na “cura” do ser humano se não for de forma contínua e consistente.
Nem todos os dias eu me venço, mas todos os dias eu me testo.
Também não estou acima de ninguém; por isso, inclusive, quanto mais eu busco ser melhor que minha versão anterior, menos tempo tenho para buscar comparações.
Quero ressaltar que eu abri verdadeiramente minha intimidade nesse texto. Meu momento mais íntimo comigo e de devoção a mim mesma.
Espero poder inspirar você pelo caminho. Aproveite o que lhe serve e abra-se para aperfeiçoar seu próprio estilo de check-in interno.
Me conta em qual virtude você está trabalhando em si mesma, e qual desses 4 passos será seu favorito!
Ah, eu vou gravar meu check-in diário junto com a prática de respiração e vou enviar por e-mail para os inscritos na minha lista. Se você ainda não se inscreveu, ainda dá tempo!
Te vejo em breve
Com amor
Milla Dalbem
*Técnica que eu aprendi com o Dan Brulle


