Eu Escolho Escrever
Reencontrando minha voz, um dia de cada vez.
Tem muitas coisas que eu sei sobre mim, mas uma delas eu quero compartilhar aqui hoje porque é meu aniversário ✨
EU AMO ESCREVER e essa muitas vezes foi a minha salvação, algumas outras vezes a escrita foi minha única amiga capaz de “hold space” para as minhas emoções e o único lugar seguro aonde eu podia expressar aquilo que havia de bom e de ruim em mim.
Acredito que como muitos por aí no mundo, eu também temi (e as vezes ainda temo) meu próprio dom. A escrita me permite ser autêntica, verdadeira e as vezes a nossa verdade incomoda.
Quando adolescente, eu tinha muita raiva da vida, muita dor no peito, e diversas vezes usei a escrita como terapia. Eu colocava música alta nos ouvidos para silenciar os pensamentos e deixava que as palavras apenas fluíssem através do teclado de um computador que tinha acesso à internet discada. Após por para fora a raiva e a frustração, eu lia tudo aquilo e apagava. Um dia eu fui “pega” escrevendo minhas dores e fui “punida”. Criei então o medo.
No começo da vida adulta, usava minha escrita como uma expressão artística. Comecei um blog, que tinha muitas visualizações diárias. E eu amava dedicar tempo ali. Mas mais uma vez tive minhas asas cortadas. Naquela época eu morava no Canadá e o governo começou a fazer publicidade dizendo sobre os “riscos” da exposição na internet. Deletei meu blog.
Quando meu filho nasceu, senti vontade de voltar a escrever, mas estava bloqueada.
Quando comecei a consagrar ayahuasca, um dia pedi para saber qual era meu dom “a escrita” foi a resposta, mas para eu desenvolver meu dom, eu precisava largar meu vício no álcool e nas drogas.
Eu larguei. Mas não voltei a escrever.
Já quis muitas vezes voltar a escrever, seja para liberar espaço no peito ou fosse para expressar minha criatividade e as vezes, coisas incríveis passam por mim. Algumas eu compartilho. Outras tantas não deixaram de habitar apenas meu bloco de notas.
Hoje eu completo 34 anos. Nas últimas semanas me perguntei, quanto mais tempo será que ainda tenho em vida? Será que terei tempo de ensinar meu filho todas as coisas que eu adoraria ensina-lo? Meus pais biológicos se foram antes mesmo que eu pudesse aprender algo sobre a vida com eles. E diante da impermanência da vida, decidi que hoje seria o retorno de um hábito que tanto me faz bem - escrever.
O mundo está chato. A internet está cheia de vídeos que não são reais. Pessoas vazias espalhando ideias separatistas, ódio sendo distribuído por aí e eu aqui escondendo para mim, as milhares de formas que a espiritualidade me ensina sobre como driblar minha alma de tudo isso. Me pergunto “será que é justo que meu medo me bloqueie de fazer o que eu mais amo?”
Então, no meu banho de ontem eu decidi que não vou mais deixar tudo isso escondido, nos papéis que ninguém vai ler e nem que se percam em meu peito - é como vida que se esvai.
Outra coisa que sei sobre mim é que acordos públicos, me ajudam a ser consistente. Então, vou postar, todos os dias, por 90 dias, para que se torne um hábito.
Que a escrita que flui através de mim, chegue até quem tem que chegar, ou que sirva de diário, se um dia eu morrer, meu filho poder vir aqui e conhecer pedaços de mim que ele não teve oportunidade de presenciar.
……
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🫶
Com amor
Milla Dalbem
* hold space - “segurar o espaço”

