Do nada, ou não tão do nada assim, comecei a me sentir muito ansiosa.
Estava no trabalho, com vontade de sair de lá correndo pela porta da frente, sem saber para onde ir. Alguém encostou em meu ombro e meu corpo se contraiu, como se aquilo fosse uma ameaça de bomba atômica. Minha visão estava em túnel - e a sensação que eu tinha era de que um dementador de Askaban havia me visitado.
Não sentia vontade de comer, embora estivesse com fome. Cansaço extremo e dificuldade para dormir (o que deveria ter sido proibido por Deus, rs). Coração palpitante, respiração descontrolada (às vezes paralisada e às vezes rápida demais, como se eu precisasse respirar todo o ar do planeta antes que o ar acabasse)
Eu já estive aqui antes.
Quase sempre era por verdades que eu não queria enxergar - fossem sobre situações, relações ou sobre mim mesma.
Isso chama-se ansiedade.
Quem nunca, não é mesmo?
Mas o problema não é ter ansiedade.
Eu vejo que nossa geração pintou a ansiedade como se ela fosse uma vilã - imagino-a como uma pessoa assaltando um banco com um gorro na cara e uma arma apontada para a minha cara. E AGORA? Se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come.
Porém, ela não é a minha pior vilã. Ela, nesse caso, está só tentando me ajudar, me salvar de mim mesma; eu é que estou presa demais no meu próprio looping para compreender.
O que escolho fazer?
Obviamente tudo que claramente não resolve:
Me afogo nas águas do Instagram - o que me lembra que passei uma semana inteira sem postar conteúdo e aumenta ainda mais a minha ansiedade.
Me rendo aos braços sufocantes do sofá - eles me convidam a dormir, e já que me sinto extremamente cansada, acredito na mentira de que estou recarregando as minhas baterias - o que aumenta a minha ansiedade diante da minha improdutividade.
Aceito cair no conto do vigário ao aumentar a minha ingestão de sabores doces (não como açúcar mas me engano colocando mais mel em tudo)
PS: Cuidado com essas pegadinhas, você aí também.
E para piorar - TPM que fala.
Eu sei onde esse caminho me leva - desconexão total de mim mesma.
Imediatamente me pergunto se não é falta dos meus tão amados psicodélicos? Mas resisto à tentação. Por 7 anos eles foram meu combustível e minha sanidade mental. Mas nessa fase da vida em que me encontro, tenho tentado explorar a minha sobriedade de consciência. Será que sou capaz de atravessar portais como esses sozinha?
Resposta: Fui capaz, sim, tanto sou que estou aqui escrevendo, porque se ponho em linhas corridas em forma de texto é porque encontro em mim a saída.
A ansiedade é, no fundo, um pedido de socorro, de atenção, de si para si mesmo.
É a sua alma te mostrando que há abandono.
Eu não tenho feito o que precisa ser feito.
Exercícios físicos para queimar o excesso de cortisol adquirido na rotina louca que vivemos (ou você vive na selva ou vive na selva de pedras, no primeiro você não precisa de exercícios porque a sua vida já é em movimento de verdade, mas se você mora na selva de pedra a sua vida é um acúmulo de estresse e cafeína).
Regulação de DOPAMINA - nosso cérebro está cada vez mais viciado em dopamina barata (nosso celular é como comer McDonald’s todos os dias, parece que te alimenta, mas no final das contas te intoxica). - Mas falamos sobre isso em outro momento.
Exercícios de respiração consciente que preenchem os buracos abertos na sua alma pelo sugamento da sua alma pelos dementadores, rs.
Paciência e presença para sentar com as emoções das quais você está tentando fugir - socorro, só de escrever essas linhas já quero eu mesma desaparecer, rs.
Ao fazer essas coisas, mesmo que de forma rápida e imperfeita, a sua alma entende que você decidiu, por fim, pelo abandono.
E de pouco em pouco, o entendimento começa a abrir espaço para se chegar, se aninhar, pedir colo como uma criança pequena que só fez birra porque queria e precisava chamar atenção de alguma forma.
Ansiedade quase sempre surge de necessidades não atendidas, por você mesma.
É uma autossabotagem querer surgir como uma erva daninha e sua jardinagem interna precisa de atenção.
É uma necessidade de controle, desesperada, perdendo o controle.
É uma ferida de abandono abrindo caminho para que se pule no abismo.
É a falta de Deus e de esperança assumindo o volante.
No final das contas, ela nunca foi a inimiga. Ela era um sinal.
É como uma luz que acende no painel do carro: se você parar o carro e der a assistência necessária, rapidamente tudo volta ao normal e o carro volta a funcionar normalmente. Mas se você ignorar aquele sinal, há riscos de você perder o motor.
“Ahh, mas eu não entendo nada de carros”
Beleza, leva ao mecânico ou encontra alguém que possa te ajudar.
E nesse momento você deve estar se perguntando, como foi que eu me tirei dessa crise, eu te conto, afinal seria injusto não falar sobre isso:
Deixei o celular de lado por uns dias
É muito mais difícil do que parece. Parece que quanto mais ansiosa você está, mais você precisa do celular, para tudo e para nada. Mas quanto mais estamos nas redes, mais achamos que a grama do vizinho é mais verde, o que faz com que você se afunde mais, faça menos, se abandone mais. Para me ajudar com o hábito, peguei o bom e velho livro.
Respiração consciente e algumas vezes exercícios de respiração
Na hora da crise - o que salva mesmo é a respiração. Entre as crises eu “fugia” para meu mundinho de silêncio e ar.
Exercícios de liberação somática
Às vezes era yoga, às vezes era sentar no tapete com a minha ansiedade e encarar os fatos de frente, às vezes eram técnicas mais avançadas de terapia somática. No começo é desconfortável, mas você rapidamente vê o progresso.
O fato é: funcionou tanto que estou de volta à sua caixa de e-mail ou à sua timeline.
E se você estiver também passando por um momento como o que passei, estou à disposição para conversar.
Você não está sozinha, mulher.
Inclusive, é aqui que entra meu trabalho como terapeuta: eu ajudo mulheres a se organizarem por dentro, ajudo a ter clareza e direção prática tanto em processos quanto sobre si mesmas.
E sim, terapeutas também são seres humanos sujeitos a todos os tipos de influências emocionais e psíquicas, acredito inclusive que isso é que mantém nossa humanidade para que a cada paciente na minha frente eu tenha respeito pelo processo dele, que eu o escute e o ajude como eu faço comigo e para mim mesma.
Com amor.
Milla Dalbem
Se você estiver também passando por um momento como o que eu passei: eu abro algumas conversas por semana para escutar onde você está e te dar direção. É só me escrever para contact@milladalbem.com com o assunto “conversa”. Você não está sozinha, mulher.
Se você reconheceu alguém nesse texto ou sabe de alguma amiga que tem tido crises de ansiedade, compartilhe esse texto com ela. Provavelmente ela acha que está sozinha nessa.
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Fofoca da minha vida:
Vou tomar o Mushroom coffee da Ryze por 7 dias, para ver se diminui minhas quedas de energia ao longo do dia (ainda não sei se é idade, estresse ou excesso de cafeína) e volto aqui para contar depois os resultados. Esse café com mushrooms é conhecido por ser uma opção de café que não dá essas quedas bruscas ao longo do dia.
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