<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Milla Dalbem]]></title><description><![CDATA[Um espaço para mulheres que desejam se reorganizar por dentro e viver com mais verdade.]]></description><link>https://www.milladalbem.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Pbnu!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F061a94d9-ccf2-464e-9667-a89bed580d0f_1080x1080.png</url><title>Milla Dalbem</title><link>https://www.milladalbem.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sun, 12 Jul 2026 18:06:03 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.milladalbem.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Milla Dalbem]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Milla Dalbem]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Milla Dalbem]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Milla Dalbem]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[A Arte de Se Distrair de Si Mesma]]></title><description><![CDATA[Durante anos acreditei que uma vida cheia era sin&#244;nimo de uma vida bem vivida. Amigos, compromissos, estudos e planos ocupavam cada espa&#231;o da minha agenda.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-arte-de-se-distrair-de-si-mesma</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-arte-de-se-distrair-de-si-mesma</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Jun 2026 11:07:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9mD-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36263c19-f031-4b6b-8080-10359feee61f_6720x4480.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ela tinha uma vida cheia.</p><p>Muitos amigos de diferentes grupos sociais. Um trabalho que ocupava a maior parte da semana. Estudava um novo idioma. Fazia uma p&#243;s-gradua&#231;&#227;o. Cumpr&#237;a horas de est&#225;gio volunt&#225;rio.</p><p>Era daquelas pessoas que precisavam abrir a agenda para marcar um caf&#233;.</p><p>Ela era feliz. Ou pelo menos acreditava que era.</p><p>Gostava de dizer que n&#227;o assistia televis&#227;o porque n&#227;o tinha tempo. Gostava da sensa&#231;&#227;o de estar sempre indo para algum lugar. De ter mensagens n&#227;o respondidas. De precisar encaixar compromissos entre outros compromissos.</p><p>Como era jovem &#8212; ou pelo menos se sentia jovem &#8212; n&#227;o podia desperdi&#231;ar a vida.</p><p>Quase toda semana recebia alguma amiga em casa. Sempre havia algu&#233;m precisando de um abra&#231;o, de um conselho ou de uma garrafa de vinho.</p><p>Ela gostava de ser necess&#225;ria. Gostava de ser lembrada. Gostava de ser chamada.</p><p>Sua agenda estava lotada quase todos os dias. E quando aparecia um espa&#231;o vazio, ele raramente permanecia vazio por muito tempo.</p><p>Um anivers&#225;rio. <br>Um happy hour.<br>Um encontro.<br>Uma viagem.<br>Qualquer coisa.</p><p>Era como se o calend&#225;rio tivesse horror ao sil&#234;ncio.</p><p>Ela estava sempre atrasada. <br>Quase sempre cansada.<br>Algumas manh&#227;s acordava exausta mesmo depois de ter dormido mais de doze horas.<br>Mas isso era normal, n&#227;o era?</p><p>Afinal, pessoas interessantes tinham vidas interessantes.</p><p>E vidas interessantes eram cheias.<br>Pelo menos era isso que ela acreditava.</p><p>Tudo era intenso.<br>Ela voltava dos rol&#234;s feliz demais ou exausta demais.<br>As conversas duravam horas.<br>Os dramas pareciam urgentes.<br>As emo&#231;&#245;es eram sempre grandes.</p><p>Sua fam&#237;lia exigia demais.<br>Seu trabalho exigia demais.<br>Seus amigos exigiam demais. <br>A vida exigia demais.</p><p>Ir &#224; academia?<br>Preparar a comida da semana?<br>Sentar para descansar?<br>Quem tinha tempo para isso?</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>Essa era a minha vida.</p><p>Talvez seja a sua.</p><p>E, se eu n&#227;o prestar aten&#231;&#227;o, ela ainda pode voltar a ser.</p><p>Durante muito tempo eu achei que uma vida bem vivida era uma vida cheia. Cheia de experi&#234;ncias. Cheia de amigos. Cheia de planos. Cheia de hist&#243;rias para contar. Cheia de movimento.</p><p><strong>Hoje eu consigo enxergar algo que n&#227;o enxergava naquela &#233;poca.<br>Os &#250;nicos momentos em que a ansiedade aparecia eram os momentos vazios.</strong></p><p>Ela aparecia quando eu voltava para casa.<br>Quando o telefone parava de tocar.<br>Quando n&#227;o havia ningu&#233;m precisando de mim.<br>Quando o domingo terminava.<br>Quando o sil&#234;ncio finalmente conseguia entrar pela porta.</p><p><br>Enquanto eu tomava mais um copo de cerveja, n&#227;o precisava escutar certas perguntas.<br>Enquanto resolvia o problema das minhas amigas, n&#227;o precisava olhar para os meus.<br>Enquanto corria de um compromisso para outro, n&#227;o precisava perceber que havia algo em mim pedindo aten&#231;&#227;o.</p><p>A vida cheia n&#227;o era apenas uma vida cheia. <br>Era tamb&#233;m uma excelente distra&#231;&#227;o.</p><p>Perceber isso mudou tudo.</p><p>Mas existe uma parte dessa hist&#243;ria sobre a qual quase ningu&#233;m fala.</p><p>O vazio.<br>O vazio assusta.</p><p>Assusta abrir a agenda e perceber que n&#227;o h&#225; nada marcado.<br>Assusta quando o telefone passa o dia inteiro sem tocar.<br>Assusta n&#227;o ter um plano incr&#237;vel para o pr&#243;ximo feriado.<br>Assusta descobrir que voc&#234; n&#227;o faz ideia de quem &#233; sem toda aquela movimenta&#231;&#227;o.<br><br>Porque &#233; no vazio que as coisas aparecem.<br>As tristezas.<br>Os medos.<br>As frustra&#231;&#245;es.</p><p>As perguntas que ficaram anos esperando uma oportunidade para serem ouvidas.</p><p>&#201; como desligar a televis&#227;o da casa e perceber que a geladeira faz barulho o tempo inteiro. O barulho sempre esteve l&#225;. Voc&#234; s&#243; n&#227;o conseguia escut&#225;-lo.</p><p>Comigo foi assim.</p><p>No come&#231;o, o sil&#234;ncio parecia um castigo. Depois virou companhia. E, mais tarde, virou lar.</p><p>Aos poucos eu comecei a gostar da minha pr&#243;pria presen&#231;a.</p><p>Comecei a perceber o quanto estava cansada de carregar problemas que n&#227;o eram meus. O quanto era bom n&#227;o precisar estar dispon&#237;vel o tempo inteiro.</p><p>O quanto era agrad&#225;vel assistir a uma s&#233;rie ruim antes de dormir sem sentir que eu deveria estar produzindo alguma coisa.</p><p>O quanto era libertador n&#227;o fugir da minha pr&#243;pria dor.</p><p>E foi curioso perceber que eu tamb&#233;m comecei a olhar para algumas mulheres de forma diferente.</p><p>Aquelas mulheres que tinham poucos amigos. Aquelas que passavam finais de semana sozinhas. Aquelas que eu julgava silenciosamente como sem gra&#231;a.</p><p>De repente eu as admirava.</p><p>Porque elas possu&#237;am algo que eu ainda estava aprendendo. Elas sabiam estar consigo mesmas. Elas n&#227;o precisavam de tanto barulho para se sentir vivas.</p><p><strong>Hoje eu entendo que remover excessos n&#227;o &#233; empobrecer a vida. &#201; permitir que ela respire.</strong></p><p>&#192;s vezes os excessos s&#227;o compromissos. &#192;s vezes s&#227;o expectativas. &#192;s vezes s&#227;o pessoas. &#192;s vezes s&#227;o vers&#245;es de n&#243;s mesmas que j&#225; deveriam ter ido embora.</p><p><span data-color="#980000" style="color: rgb(152, 0, 0);">E talvez o maior presente desse processo seja perceber que a solitude n&#227;o &#233; aus&#234;ncia.<br>&#201; presen&#231;a.</span></p><p>Presen&#231;a de si.</p><p>Porque &#233; quando o mundo finalmente abaixa o volume que conseguimos ouvir a nossa alma.</p><p>E eu passei anos tentando preencher a minha vida.</p><p>S&#243; depois percebi que estava tentando n&#227;o escutar o eco.<br><br>Com amor<br>Milla Dalbem</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9mD-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36263c19-f031-4b6b-8080-10359feee61f_6720x4480.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9mD-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36263c19-f031-4b6b-8080-10359feee61f_6720x4480.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9mD-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36263c19-f031-4b6b-8080-10359feee61f_6720x4480.jpeg 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!U_fh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a624c69-1b39-41f8-ba55-7ead2f36b005_4914x3463.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Existe uma forma de se perder de si mesma que ningu&#233;m percebe.</p><p>Voc&#234; continua trabalhando.<br>Continua cuidando dos filhos.<br>Continua pagando as contas.<br>Continua sorrindo nas fotos.</p><p><strong>Mas, em algum lugar do caminho, deixou de se escutar.</strong></p><p>Nem sempre a desconex&#227;o de si &#233; aparente.</p><p>Quando falamos sobre desconex&#227;o, imaginamos algu&#233;m ap&#225;tico. Sem brilho nos olhos. Talvez algu&#233;m em um quadro depressivo grave, isolado do mundo.</p><p>Certo?</p><p>Nem sempre.</p><p>E quando imaginamos algu&#233;m conectado consigo mesmo, quase sempre pensamos em uma pessoa vivendo na praia, cercada pela natureza, sem grandes preocupa&#231;&#245;es com o amanh&#227;.</p><p>Certo?</p><p>Tamb&#233;m nem sempre.</p><p>Por muitos anos eu fui desconectada de mim mesma sem saber.</p><p>E talvez voc&#234; tamb&#233;m esteja.</p><p>Porque, sendo honesta, conheci poucas pessoas que realmente sabiam quem eram por tr&#225;s dos pap&#233;is que desempenhavam.</p><p>A desconex&#227;o pode aparecer de formas muito mais discretas.<br>Na necessidade constante de buscar respostas em or&#225;culos.<br>Na necessidade de pertencer a grupos onde algu&#233;m sempre aponta a dire&#231;&#227;o.<br>Na dificuldade de ficar sozinha.<br>Na compuls&#227;o por estar sempre ocupada.<br>Na necessidade de sair de um relacionamento direto para outro.<br>Na baixa autoestima.<br>Na inseguran&#231;a.<br>Na necessidade de valida&#231;&#227;o.<br>Na reatividade.<br>No vazio existencial que muitas vezes voc&#234; nunca contou nem para seu terapeuta.</p><p>A lista continua.</p><p>E muitas dessas pessoas s&#227;o funcionais.<br>Est&#227;o construindo carreiras.<br>Criando filhos.<br>Vivendo casamentos.<br>Pagando contas.<br>Sendo admiradas por quem est&#225; de fora.</p><p>Mas existe algo em comum entre elas:</p><p><strong>Secretamente, buscam estabilidade porque t&#234;m medo da incerteza.</strong></p><div class="pullquote"><p>&#8220;Conectar-se consigo mesma &#233; muito perigoso&#8221;, diz o subconsciente.</p><p>&#8220;Mas viver sem conex&#227;o &#233; como morrer em vida&#8221;, responde a alma.</p></div><p>Porque existe um risco.</p><p>O risco de acordar um dia e perceber que a vida que voc&#234; construiu n&#227;o combina mais com quem voc&#234; se tornou.<br>O risco de mudar de dire&#231;&#227;o.<br>De terminar um relacionamento.<br>De trocar de profiss&#227;o.<br>De mudar de cidade. De mudar de pa&#237;s.<br>De abandonar vers&#245;es antigas de si mesma.</p><p>E isso assusta.</p><p>Talvez porque acessar a si mesma seja como atravessar um lago de &#225;guas escuras. Voc&#234; n&#227;o sabe se d&#225; p&#233;. N&#227;o sabe o que existe sob a superf&#237;cie. N&#227;o sabe se encontrar&#225; pedras, musgo, correnteza ou profundidade.</p><p>Mas existe um detalhe:</p><p>H&#225; um animal feroz atr&#225;s de voc&#234;.</p><p>Ficar parada tamb&#233;m n&#227;o &#233; uma op&#231;&#227;o. Em algum momento, ser&#225; preciso atravessar.</p><p>E por mais estranho que pare&#231;a, desse lado da travessia existe algo que eu n&#227;o encontrei em nenhum outro lugar. Presen&#231;a / Paz</p><blockquote><p><strong>Porque acessar a si mesma talvez seja uma das formas mais seguras de acessar Deus.</strong></p></blockquote><p>E aqui n&#227;o estou falando de religi&#227;o.</p><p>Do crente ao ateu, conheci pessoas que viveram estados profundos de conex&#227;o consigo mesmas. E todas elas pareciam descrever algo parecido.</p><p>Uma esp&#233;cie de intelig&#234;ncia silenciosa. Uma presen&#231;a. Uma sensa&#231;&#227;o de estar sendo guiada. Como se existisse uma trama invis&#237;vel sustentando seus passos.</p><p>Isso significa que uma vida conectada n&#227;o ter&#225; dor?</p><p>Quem me dera.</p><p>&#192;s vezes &#233; quase o contr&#225;rio. As emo&#231;&#245;es ficam mais intensas. As decis&#245;es se tornam maiores. Os ciclos de transforma&#231;&#227;o ficam mais frequentes.</p><p>Mas existe algo que passa a acompanhar tudo isso:</p><p>Uma sensa&#231;&#227;o profunda de amparo. Como dormir em uma rede invis&#237;vel.<br>Inquebr&#225;vel. <br>Aconchegante.<br>Mesmo quando voc&#234; est&#225; no meio do olho do furac&#227;o.</p><p>E enquanto escrevo estas palavras, percebo que talvez tenha sido assim que conheci a f&#233;.</p><p>N&#227;o atrav&#233;s das respostas. Mas atrav&#233;s da coragem de continuar atravessando.</p><blockquote><p><strong>Talvez seja por isso que o caminho para Deus seja t&#227;o &#237;ntimo.</strong></p></blockquote><p>Porque, no fim das contas, ele sempre come&#231;a dentro de n&#243;s.</p><p>Com amor,<br>Milla Dalbem</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!U_fh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a624c69-1b39-41f8-ba55-7ead2f36b005_4914x3463.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!U_fh!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4a624c69-1b39-41f8-ba55-7ead2f36b005_4914x3463.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MIev!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8781ad5c-e8fc-42cc-a204-00f5f6886c47_5472x3648.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>E, mais uma vez, eu tive raiva do sistema.</p><p>Mais uma vez, eu me peguei tendo que escolher quem eu seria, como uma adolescente obrigada a decidir qual curso da faculdade fazer.</p><p>Ou voc&#234; &#233; isso, ou voc&#234; &#233; aquilo.<br>Precisa nichar para aparecer na internet.<br>Precisa ser mais clara, mais direta, mais estrat&#233;gica.<br>Ou tem que ser menos profunda, menos complexa, menos voc&#234;.</p><p>Tem que ser informativa, mas n&#227;o demais.<br>Pessoal, mas n&#227;o tanto.<br>Espiritual, mas sem assustar.<br>Terapeuta, mas sem parecer terapeuta.</p><p>Aut&#234;ntica, mas dentro de um formato que o algoritmo consiga entender.</p><p>E agora, com a desintelig&#234;ncia artificial, todos somos tudo &#8212; e ningu&#233;m parece ser mais nada.</p><p>Complexo mundo de Sofia. Ugh. &#128528;</p><p>Eu tentei ser muitas coisas: Tentei ser veterin&#225;ria. Tentei ser acupunturista.<br>Tentei ser terapeuta dentro de uma caixinha que coubesse na cabe&#231;a dos outros.<br><strong>Tentei ser at&#233; quem eu n&#227;o era.</strong></p><p>Me perdi na ilus&#227;o de quem as pessoas gostariam que eu fosse.</p><p>E at&#233; a ayahuasca, que veio para diluir minhas ilus&#245;es, me ajudou a criar uma nova personalidade minha. De pouquinho em pouquinho, sem eu nem perceber, vi minha vaidade se apegar a mais um t&#237;tulo.</p><p>Mais uma identidade.<br>Mais uma explica&#231;&#227;o.<br>Mais uma forma de dizer ao mundo: &#8220;olha, eu sou algu&#233;m&#8221;.</p><p><strong>Mas talvez eu n&#227;o queira mais ser nada que n&#227;o seja ser.</strong></p><p>Talvez eu esteja cansada de tentar caber em nomes, nichos, t&#237;tulos, personagens e promessas.</p><p>Talvez eu s&#243; queira existir com mais verdade.</p><p>E no &#250;nico lugar em que um dia me senti de fato habitando a mim mesma, foi nas minhas palavras escritas.</p><p>Nessas que marcam o fundo da tela.<br>Nessas que marcam o fundo do papel.</p><p>Nessas que, antes de tentarem explicar qualquer coisa para algu&#233;m, me ajudam a voltar para mim.</p><p>Porque escrever sempre foi o meu jeito de lembrar quem eu sou quando todas as etiquetas caem.</p><p>E &#233; nessa ideia de ser nada &#8212; e, ao mesmo tempo, um pouco de tudo &#8212; que eu venho aqui firmar o meu recome&#231;o.</p><p>Sem personagem.<br>Sem guru.<br>Sem a obriga&#231;&#227;o de parecer pronta.<br>Sem a necessidade de caber em uma defini&#231;&#227;o perfeita.</p><p>Apenas sendo.</p><p>O que sair.<br>O que fluir.<br>Como der.<br><span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);">Com verdade</span>.</p><p><strong>Esse &#233; o in&#237;cio de uma nova fase.</strong></p><p>Eu n&#227;o sei exatamente aonde ela vai me levar, e talvez essa seja a parte mais honesta de tudo. <br>Mas sei que aqui dentro existe muita vida vivida.<br>Muitas mortes simb&#243;licas.<br>Muitos recome&#231;os.<br>Muitas vers&#245;es deixadas pelo caminho.<br>Muitas perguntas que ainda n&#227;o t&#234;m resposta.</p><p>E muitas experi&#234;ncias que talvez possam encontrar alguma coisa a&#237; dentro de voc&#234; tamb&#233;m.</p><p>No dia 02 de julho, estarei lan&#231;ando um podcast.</p><p>A primeira temporada ter&#225; 10 epis&#243;dios sobre a jornada de voltar para si.<br>Sobre os prazeres e os dessabores desse caminho de volta para casa.<br>Sobre abandonar personagens.<br>Sobre reconhecer as etiquetas que usamos para sobreviver.<br>Sobre o vazio que aparece quando elas come&#231;am a cair.<br>Sobre a coragem de n&#227;o saber exatamente quem estamos nos tornando &#8212; e, ainda assim, continuar.</p><p>Talvez esse podcast n&#227;o seja sobre encontrar uma nova defini&#231;&#227;o de mim.</p><p>Talvez seja justamente sobre parar de precisar de uma.</p><p>Porque quando todas as etiquetas caem, o que sobra n&#227;o &#233; aus&#234;ncia. <span data-color="#980000" style="color: rgb(152, 0, 0);">O que sobra &#233; presen&#231;a</span>.</p><p>E talvez seja ali, nesse lugar sem tanta explica&#231;&#227;o, que a gente finalmente comece a ser de verdade.</p><p>Com amor,<br>Milla Dalbem</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MIev!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8781ad5c-e8fc-42cc-a204-00f5f6886c47_5472x3648.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MIev!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8781ad5c-e8fc-42cc-a204-00f5f6886c47_5472x3648.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MIev!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8781ad5c-e8fc-42cc-a204-00f5f6886c47_5472x3648.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MIev!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8781ad5c-e8fc-42cc-a204-00f5f6886c47_5472x3648.jpeg 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Parto de Mim Mesma]]></title><description><![CDATA[Eu fui procurar respostas sobre a morte e encontrei uma nova forma de viver (relato da minha experiencia com BUFO)]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-parto-de-mim-mesma</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-parto-de-mim-mesma</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Fri, 19 Jun 2026 11:08:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/de11c8ab-e5fc-4282-9928-278d1f0e093c_1983x793.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RvyN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe3f83969-8c0b-4fa6-a19a-d85275b132b8_1983x793.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RvyN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe3f83969-8c0b-4fa6-a19a-d85275b132b8_1983x793.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RvyN!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe3f83969-8c0b-4fa6-a19a-d85275b132b8_1983x793.png 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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Fui aquela adolescente e mulher que vivia os dias intensamente, sem me preocupar com o amanh&#227;. Meu lema era &#8220;carpe diem&#8221;.</p><p>Eu vivia tudo o que a vida me oferecesse, gostava de coisas radicais... Me lembro que, quando fiz bungee jump, gravei um v&#237;deo dizendo para minha m&#227;e que, se eu morresse, ela n&#227;o ficasse triste, pois eu havia morrido feliz e fazendo algo que eu queria. Quando saltei de paraquedas, eu tamb&#233;m s&#243; pedi a Deus que, se n&#227;o fosse meu momento de morrer, que aquela experi&#234;ncia n&#227;o tirasse a minha vida em um momento que ainda n&#227;o era o meu, que algo acontecesse no caminho e eu n&#227;o chegasse l&#225;. E saltei sem medo. Apenas me entreguei &#224; experi&#234;ncia, e foi uma das melhores sensa&#231;&#245;es de pertencimento ao universo. Me senti t&#227;o una com o universo, me vi t&#227;o pequena e t&#227;o parte. Foi lindo.</p><p>Quando eu estava gr&#225;vida de meu filho, tive uma doen&#231;a que me fez ter um encontro com Jesus, e ele me perguntou se eu queria ficar l&#225; ou se eu queria voltar. Escolhi voltar, pois eu estava gr&#225;vida e queria experienciar a maternidade.</p><p><strong>Ap&#243;s o nascimento do meu menino, passei a temer a morte. Mas recentemente descobri n&#227;o ser a morte que eu temo, e sim meu apego a ele, durante uma consagra&#231;&#227;o da medicina Bufo alvarius.</strong></p><p>Descobri a morte sendo uma amiga, ou apenas uma mudan&#231;a de estado de consci&#234;ncia.</p><p>Minha experi&#234;ncia come&#231;ou antes mesmo da minha consagra&#231;&#227;o... Tive medo de morrer. Perguntei milhares de vezes &#224; Xam&#227; se existiam chances de que eu fizesse minha passagem, e ela me disse que n&#227;o, mas n&#227;o acreditei nela. N&#227;o por falta de confian&#231;a no seu trabalho, mas porque algo me dizia que eu morreria.</p><p>E eu morri. N&#227;o &#233; a mesma pessoa que hoje escreve essas palavras.</p><p>Ap&#243;s consagrar a medicina, em poucos segundos, entre engolir a fuma&#231;a e fechar os olhos, l&#225; estava eu. Desmanchando. Derretendo. O v&#233;u que eu usava era a &#250;nica coisa que n&#227;o derretia, mas meu rosto e corpo, sim. Mantive-me sentada, na ilus&#227;o de n&#227;o perder o controle do meu corpo, ou quem sabe da mente.</p><p>Me vi como sou. N&#227;o um corpo, n&#227;o mat&#233;ria, mas energia, que se misturava com a m&#250;sica, com os sons, com a real vida.</p><p>Lembro que tocava a Ora&#231;&#227;o de S&#227;o Francisco. Me apeguei a ela, e ela se tornou uma comigo. &#8220;Amar, que ser amado, perdoar para ser perdoada.&#8221;</p><p>Voltei e abri meus olhos, e a Xam&#227; estava me esperando para mais uma &#8220;dose&#8221;. N&#227;o quis, pois aquela sensa&#231;&#227;o j&#225; estava mais do que v&#225;lida em minha cabe&#231;a. Eu j&#225; tinha recebido o que eu tinha ido buscar. Mas ela me disse que eu tinha apenas aberto a porta, mas que eu n&#227;o havia entrado ainda.</p><p>Confiei, querendo desconfiar, e aceitei me entregar e atravessar aquela porta.</p><p>E da&#237;, morri.</p><p>Tocava &#8220;<strong>&#201; morrendo que se vive para a vida eterna</strong>&#8221;, e decidi conhecer a vida eterna.</p><p>Conheci ent&#227;o a morte. Deitei. E me vi, ent&#227;o, de fato, quem posso ser sem a presen&#231;a do meu corpo. Jesus mais uma vez veio ao meu encontro, e ele me explicou que<strong> a ressurrei&#231;&#227;o &#233; sobre isso: deixar um estado de consci&#234;ncia morrer para existir em outro estado</strong>. Eu o vi na cruz, sem medo e totalmente entregue. Confiante no universo. Sem medo e sem dor. E ele me explicou: o que vamos temer, se o pior que pode acontecer a um ser humano &#233; a morte? E que a morte, na verdade, n&#227;o &#233; algo ruim, pois retornamos ao que verdadeiramente somos. Energia. Paz. Amor.</p><p>Tive que entregar meu corpo. Eu n&#227;o queria e ele me explicou que, na verdade, o que eu estava sentindo era apenas apego. Apego ao corpo, apego &#224; vida. Sim, temos tanto apego &#224; vida que deixamos de viver, muitas vezes por medo.</p><p>N&#227;o &#233; uma incongru&#234;ncia?</p><p><strong>Queremos viver e n&#227;o queremos morrer, pois somos apegados &#224; vida. Mas deixamos de viver por medo de morrer. </strong>Ser&#225; que isso realmente faz sentido?</p><p>Depois de entregar meu corpo, de senti-lo se desfazendo, derretendo e n&#227;o existindo mais... senti meu corpo sendo reconstru&#237;do. Eu estava dentro da &#225;gua. Nada tinha lugar. A minha boca estava onde os olhos deveriam estar, n&#227;o tinha orelhas e nem sentia o restante do meu corpo.</p><p>&#8220;N&#227;o se preocupe com as coisas fora do lugar. Antes de tudo se ajeitar, pequenas coisas se formam mesmo fora do lugar, at&#233; que tudo ganhe sua forma&#8221;, dizia o pr&#243;prio Criador em uma reformula&#231;&#227;o do meu corpo, que estava em um ventre. Eu era o feto, mas tamb&#233;m era a mulher gr&#225;vida em uma banheira pronta para parir. Eu tamb&#233;m era a parteira, que acalmava aquele beb&#234; e aquela m&#227;e. Eu era todas elas.</p><p>&#8220;<strong>Voc&#234; &#233; todas elas, pois n&#227;o existe separa&#231;&#227;o. Essa separa&#231;&#227;o &#233; cria&#231;&#227;o do corpo</strong>&#8221;, me dizia o Criador. &#201; como a &#225;gua. A &#225;gua &#233; &#225;gua em forma de chuva, de lago, de rio ou a &#225;gua no nosso copo. &#201; apenas &#225;gua. N&#227;o existe separa&#231;&#227;o. &#201; eterna. Pode chover e ter &#225;gua em um lugar diferente. Mas &#233; tudo &#225;gua. Somos apenas um. Somos &#225;gua. Somos m&#250;sica, somos energ&#237;a. Somos um peda&#231;o do Criador. <strong>Apenas somos</strong>. Em diferentes formas.</p><p>O que o beb&#234; no ventre sentia era o mesmo que a m&#227;e sentia, era o mesmo que a parteira sentia.</p><p>Se somos todos um, por que competimos? Por que nos distanciamos? &#191;Por que nos separamos?</p><p>Eu s&#243; vou de fato crescer e ser algo diferente se todos n&#243;s formos ser diferentes e crescer. Talvez uma fagulha minha mude, mas ela puxa todas as minhas outras fagulhas para o mesmo lugar. A unicidade.</p><p>Perd&#227;o se torna algo t&#227;o irris&#243;rio. Eu sou o outro, o outro sou eu. Ent&#227;o o perd&#227;o come&#231;a comigo. Perdoei meu corpo, que n&#227;o teve o parto que eu planejei. Perdoei meus seios, que n&#227;o puderam amamentar. Perdoei meu filho, por toda a mudan&#231;a que ele trouxe para minha vida. Eu nunca nem pensei que eu precisasse perdo&#225;-lo.</p><p>Abri meus olhos e eu n&#227;o havia morrido. Eu havia renascido.</p><p>Tirei de meu ventre tudo aquilo que armazenei ali e que me adoecia. Senti uma equipe de m&#233;dicos me limpando. Entendi que o parto que eu estava vivenciando era o meu pr&#243;prio parto.</p><h4><strong>A gente morre, mas a gente renasce. Em outro estado de consci&#234;ncia. E isso &#233; a ressurrei&#231;&#227;o. Somos infinitos e somos finitos, na mesma intensidade e da mesma forma.</strong></h4><p>Fica mais f&#225;cil amar, pois nos tornamos amor quando entendemos que somos um com o todo.</p><p>A separa&#231;&#227;o, de corpos, de locais, de idiomas, de ideias... ela &#233; s&#243; uma ilus&#227;o. Uma cadeia da mente.</p><p>... mas h&#225; liberta&#231;&#227;o.</p><p></p><p>Texto escrito em 29 de abril de 2024.<br><br>Com amor<br>Milla Dalbem</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Adeus à Promíscua: quando a persona que te protege também te impede de amar]]></title><description><![CDATA[Durante anos, a promiscuidade me protegeu da rejei&#231;&#227;o, da vulnerabilidade e do amor. Este &#233; um relato sobre luto, autoconhecimento e a dif&#237;cil despedida de uma vers&#227;o de mim mesma.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/adeus-a-promiscua-quando-a-persona</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/adeus-a-promiscua-quando-a-persona</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Mon, 15 Jun 2026 11:07:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ewJO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe58417b3-2b8f-462f-a393-3d6621ca7728_3166x2111.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ewJO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe58417b3-2b8f-462f-a393-3d6621ca7728_3166x2111.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ewJO!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe58417b3-2b8f-462f-a393-3d6621ca7728_3166x2111.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ewJO!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe58417b3-2b8f-462f-a393-3d6621ca7728_3166x2111.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ewJO!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe58417b3-2b8f-462f-a393-3d6621ca7728_3166x2111.jpeg 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Logo ela, que TANTO me protegeu.</p><p>Eu a conheci ainda na inf&#226;ncia. Talvez no come&#231;o da adolesc&#234;ncia, uma fase t&#227;o vulner&#225;vel na vida de uma mulher, digo, menina. S&#227;o tantas as preocupa&#231;&#245;es nessa &#233;poca: primeira menstrua&#231;&#227;o, namorados, falta de compreens&#227;o e vontade de descobrir o que &#233; o sexo. Ela esteve l&#225;, me protegendo dos maiores perigos que eu pudesse enfrentar.</p><p>Eu nunca imaginei que ela me deixaria. N&#227;o entendia nem que havia algo errado com nossa rela&#231;&#227;o. N&#227;o havia mais distin&#231;&#227;o entre onde era eu e onde era ela. Onde eu come&#231;ava? Onde ela agia?</p><p>A dor de v&#234;-la partir trouxe muitas l&#225;grimas aos meus olhos, e fazia tanto tempo que eu n&#227;o chorava. Fazia tanto tempo que eu &#8220;n&#227;o sentia&#8221;.</p><p>Nossa rela&#231;&#227;o era t&#227;o intensa que eu havia perdido a minha individualidade, e ela a dela, a ponto de eu nem mais saber nome&#225;-la. E, ao contar da minha dor do luto a uma amiga, ela foi quem conseguiu dizer o nome de quem partia:</p><p>&#8220;A prom&#237;scua&#8221;.</p><p>Doeu, pois com sua partida ela me mostrou o tanto que me protegeu de um dos meus maiores medos: o estupro. Eu sempre disse que eu nunca seria estuprada, pois, afinal, eu mesma, que amo tanto sexo, s&#243; relaxaria e tentaria tirar proveito. Dessa forma, eu nunca seria violentada. Se o violentador tivesse meu consentimento.</p><p>Mas eu descobri que o abuso aconteceu mesmo quando eu dei o consentimento, porque o que era nutrido pelo meu sim era, na verdade, falta de autoestima; frustra&#231;&#227;o, que me fazia buscar uma puni&#231;&#227;o; vontade de ter hist&#243;rias para pertencer aos grupos mais descolados; medo de enfrentar a solid&#227;o; formas de fugir das minhas obriga&#231;&#245;es e responsabilidades, que tanto me assustam.</p><p>Ela me protegeu tamb&#233;m de sentir a dor. Afinal de contas, quem tinha maiores chances de cometer uma trai&#231;&#227;o era eu mesma. Pois eu e ela hav&#237;amos crescido em uma sociedade onde &#8220;n&#227;o importa o que voc&#234; fa&#231;a, o homem vai sempre trair&#8221;; onde homens competem por corpos femininos como trof&#233;us. Talvez, se eu for a colecionadora, eu n&#227;o me torne um objeto de cole&#231;&#227;o.</p><p>N&#243;s duas crescemos vendo os nossos amigos homens abusarem da inoc&#234;ncia de mulheres apaixonadas, por divers&#227;o. Escolhemos, ent&#227;o, juntar-nos &#224; divers&#227;o. Ser a pr&#243;pria divers&#227;o.</p><p>Ela me protegeu das mentiras. Pois ela me ensinou todas elas, na pr&#225;tica. Ela me ensinou a perceber os sinais. A farejar as incoer&#234;ncias. A sentir, muito antes, a hora de partir (quase sempre na manh&#227; seguinte).</p><p>Ela me ajudou com as expectativas. Se eu for a que n&#227;o vai responder, se eu for a que vai ignorar, se eu for a indiferente... nada disso vai doer. Nunca. Porque eu n&#227;o vou sentir.</p><p>Ela me protegeu tanto que n&#227;o tem como n&#227;o chorar ao v&#234;-la partir. Eu quase pe&#231;o que ela fique. Mas, como ela mesma me ensinou, essa decep&#231;&#227;o tamb&#233;m passa, e ningu&#233;m morre de amor (pelo menos n&#227;o do amor que n&#227;o se amou).</p><p>Chorei, pois vi que, na verdade, ela me protegeu tanto que me protegeu do amor. E eu, que sempre achei sentir, encontrei um vazio t&#227;o grande por falta de mem&#243;rias de verdadeira afetividade.</p><p>Chorei, pois, em muito tempo, pela primeira vez, e por v&#234;-la partir... senti.</p><p>E, como voc&#234; mesma me ensinou a deixar partir, deixo voc&#234; tamb&#233;m ir.</p><p>Adeus &#224; vers&#227;o de mim que um dia foi prom&#237;scua.</p><p>&#8212;</p><p>Texto escrito em fevereiro de 2024 por Milla Dalbem.</p><p>Parte da dieta espiritual com Bobinsana.</p><h4><strong>Obs</strong>:</h4><ol><li><p>Minha menstrua&#231;&#227;o atrasou muito. E, na jornada com a Sereia, ela me disse que eu s&#243; menstruaria quando eu estivesse pronta para me despedir do dem&#244;nio.</p></li><li><p>A amiga que a nomeou foi a Dani Soares. Minha eterna gratid&#227;o por conseguir falar o nome que eu n&#227;o conseguia dizer. Minha menstrua&#231;&#227;o veio exatamente em seguida. Voc&#234; foi importante para minha cura.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O choro que mudou o rumo da minha vida]]></title><description><![CDATA[Tudo parecia certo por fora. Mas alguma coisa dentro de mim estava morrendo em sil&#234;ncio.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-vida-que-eu-vivia-nao-me-cabia-mais</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-vida-que-eu-vivia-nao-me-cabia-mais</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Fri, 12 Jun 2026 11:07:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3bc784a3-a2d9-41e5-962a-cf5ff6a0bac8_682x1024.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hzg9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F64bd78dc-c538-4ce2-b4ac-633ba1b0ccd0_682x567.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>Ela chegou do trabalho, entrou no banho e ficou l&#225; por mais tempo do que planejou. Embaixo da &#225;gua morna, ela chorava. E junto com aquele turbilh&#227;o de emo&#231;&#245;es que constru&#237;a cada l&#225;grima, ela secretamente se sentia aliviada. Ela n&#227;o chorava havia anos.</p><p>L&#225;grimas, secre&#231;&#227;o do nariz e &#225;gua se misturavam. </p><p>Ela come&#231;ou de p&#233;, com as m&#227;os no rosto, mas logo precisou se ajoelhar. O choro tomou seu corpo, como se uma avalanche estivesse derrubando a neve de um inverno inteiro montanha abaixo.</p><p>Ela ficou ali, desolada. Por pelo menos vinte minutos.</p><blockquote><p><strong>Onde estavam todos aqueles sentimentos?</strong></p></blockquote><p></p><p>Sua vida estava &#8220;normal&#8221;, apesar de que havia muito tempo ela n&#227;o lembrava o que era se sentir viva. Ela n&#227;o tinha do que reclamar, sabe?</p><p>Tudo estava dentro dos conformes: ela tinha um bom emprego, sua casa estava em ordem, seu marido era excelente para ela.</p><p>Primeiro, sentiu culpa por chorar tanta insatisfa&#231;&#227;o. Sua m&#227;e ficaria decepcionada com tamanha ingratid&#227;o.</p><p><mark data-color="#f6f0e8" style="background-color: rgb(246, 240, 232); color: rgb(0, 0, 0);">Depois, sentiu-se sozinha.</mark></p><p>E isso tamb&#233;m a decepcionou. Afinal, ela tinha bons amigos e uma rede de apoio incr&#237;vel.</p><blockquote><p>Mas como ningu&#233;m viu que ela estava morrendo?</p></blockquote><p></p><p>N&#227;o, ela n&#227;o estava doente. Pelo menos n&#227;o em seu corpo f&#237;sico. <mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">Era a alma mesmo: </mark>que foi perdendo o brilho dia ap&#243;s dia at&#233; n&#227;o sobrar mais nada.</p><p>O p&#244;r do sol n&#227;o trazia mais alegria.</p><p>As &#250;ltimas viagens que fez com a fam&#237;lia a deixaram mais sem paci&#234;ncia do que feliz.</p><p>At&#233; as rela&#231;&#245;es sexuais com o marido pareciam mais do mesmo.</p><p>E aquele choro. Ah, aquele choro veio sem avisar, com pequenos urros, bem contidos embaixo do chuveiro, que sa&#237;am de sua garganta.</p><p>E mais uma vez ela sentiu <mark data-color="#f4cccc" style="background-color: rgb(244, 204, 204); color: rgb(0, 0, 0);">vergonha</mark>.</p><blockquote><p>Ser&#225; que o marido j&#225; tinha chegado em casa?</p></blockquote><p></p><p>Ela quis se deitar no ch&#227;o do banheiro. Mas n&#227;o o fez porque lembrou que vinha adiando a limpeza da casa havia semanas. E ali, de joelhos, ela chorou.</p><p>Chorou.</p><p>E chorou.</p><p>At&#233; que o choro acabou.</p><p>Ela ent&#227;o mudou a &#225;gua para fria. O corpo precisava se resfriar. Ela queria voltar ao normal.</p><blockquote><p>Mas que normal?</p></blockquote><p></p><p>Tarde demais.</p><p>Com os olhos vermelhos, desligou o chuveiro. Quase tremendo de frio. Quase de volta ao pr&#243;prio corpo. Mas agora estava <mark data-color="#d0e0e3" style="background-color: rgb(208, 224, 227); color: rgb(0, 0, 0);">assustada</mark>.Mais ainda, na verdade.</p><p>O choro liberou o aperto no peito. Mas a clareza que chegou depois foi o que realmente a preocupou.</p><blockquote><p>&#8220;Como?&#8221;</p></blockquote><p>Era a pergunta que rondava sua cabe&#231;a.</p><p>Aquele momento foi um marco. Um portal. Uma passagem.</p><p><strong>Ela precisava mudar.</strong></p><p></p><p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p><p></p><p>Eu queria escrever sobre como foi o momento em que entendi que a vida que eu vivia n&#227;o me cabia mais.</p><p>Eu queria escrever sobre a adrenalina e o peso de tomar &#8212; e sustentar &#8212; a decis&#227;o de deixar minha profiss&#227;o de acupunturista veterin&#225;ria e meu casamento para tr&#225;s, para seguir um chamado que eu nem sabia o que era.</p><p>Eu queria viver mais do que estava vivendo. Eu queria ver um mundo que n&#227;o sabia que existia. E nem sabia onde encontr&#225;-lo.</p><p>Mas aceitei ouvir o clamor da minha alma. </p><p>Meu chamado n&#227;o aconteceu no banheiro. Foi durante uma corrida de rua na Avenida Sumar&#233;, em S&#227;o Paulo, em um dia chuvoso. E at&#233; hoje tenho medo de correr na chuva e decidir mudar de rumo de novo. Rs.</p><p>N&#227;o foi exatamente como descrevi.</p><p>Mas quando consultei minhas mem&#243;rias sobre aquele momento, essas foram as palavras que elas escreveram. Apesar de n&#227;o saber o que seria da minha vida, sou profundamente grata pela decis&#227;o de largar tudo para tr&#225;s.</p><p>N&#227;o era sobre os outros ao meu redor.</p><p><strong>Era sobre eu precisar me encontrar no caminho.</strong></p><p>E disso eu n&#227;o me arrependo.</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>Compartilhe este texto.</p><p>Talvez exista algu&#233;m por a&#237; precisando de coragem para desbloquear o pr&#243;prio choro.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O veneno que você bebe esperando que o outro morra]]></title><description><![CDATA[A raiva parece apontar para o outro, mas quase sempre revela algo que ainda d&#243;i dentro de n&#243;s.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-veneno-que-voce-bebe-esperando</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-veneno-que-voce-bebe-esperando</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 09 Jun 2026 11:07:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d76c8178-25a9-4fb1-8823-c656fc3bb376_5430x3799.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Existe um veneno que voc&#234; bebe quase todos os dias sem perceber. Ele enfraquece o cora&#231;&#227;o, desliga a mente e apodrece o f&#237;gado.</p><p>Ele est&#225; na rotina de quase todas as pessoas que eu conhe&#231;o. Ele diminui a produtividade e aumenta a reatividade. Destr&#243;i fam&#237;lias e relacionamentos.</p><p><strong>Voc&#234; bebe desse veneno esperando que o outro seja envenenado.</strong></p><p>&#192;s vezes ele &#233; pouco amargo e vem em um frasco que parece nem existir, chamado &#8220;ressentimento&#8221;. Mas, algumas vezes, ele &#233; cortantemente amargo e sua garrafa queima como pinga &#8212; essa &#233; a raiva.</p><p>A raiva tem muitas nuances. &#201; como um produto de uma marca conhecida que possui v&#225;rias vers&#245;es do mesmo sabor: aborrecimento, irrita&#231;&#227;o, frustra&#231;&#227;o, exaspera&#231;&#227;o, indigna&#231;&#227;o, ira e f&#250;ria.</p><p>E, como toda grande marca, poucas vezes sabemos a sua composi&#231;&#227;o original.</p><p><strong>Mas, se voc&#234; me permitir fazer uma fofoca, eu conto um segredo:</strong></p><p><strong>A raiva quase sempre protege uma dor que ainda n&#227;o encontrou voz.</strong></p><p>E, quando a gente entende isso, a gente se abre.</p><p>Enquanto voc&#234; sente raiva de algu&#233;m, ou mesmo um ressentimento &#8220;leve&#8221;, &#233; imposs&#237;vel haver perd&#227;o.</p><p>Pois quem sente raiva quase sempre se coloca em cima de um pedestal e aponta um dedo. Na outra ponta, &#224;s vezes existe uma pessoa que nem sequer tem ci&#234;ncia desse dedo apontado. Aqui n&#227;o h&#225; espa&#231;o para compreens&#227;o.</p><p><strong>A compreens&#227;o da raiva come&#231;a quando voc&#234; aceita que a sua f&#250;ria ou irritabilidade escondem algo que ainda d&#243;i.</strong></p><p>Uma tristeza.</p><p>Uma m&#225;goa.</p><p>Uma dor.</p><p>&#201; quase como uma cratera, pequenininha ou gigantesca, em nossa alma. Alguma necessidade que n&#227;o foi atendida, algum limite que n&#227;o foi respeitado, algum acordo que n&#227;o foi cumprido.</p><p><strong>A raiva nem sempre &#233; a ferida. Muitas vezes ela &#233; apenas a casca que protege a ferida.</strong></p><p>Um outro fator sobre a raiva &#233; que, enquanto estamos na fase que aponta o dedo, estamos tamb&#233;m vivendo o papel de v&#237;tima. E ser v&#237;tima, em qualquer atrito, nos protege de assumir responsabilidades pelos acontecimentos.</p><p>Toda situa&#231;&#227;o que enfrentamos tem um aprendizado escondido nela.</p><p>E, se por algum motivo estamos passando por algo desconfort&#225;vel, &#233; porque nossa alma tem algo para aprender ali, seja em um pequeno desconforto ou em algo maior, como uma doen&#231;a.</p><p>A gente aprendeu a evitar algumas emo&#231;&#245;es e a desejar viver intensamente outras, mas a vida aqui na Terra &#233; uma eterna escola. E as nossas emo&#231;&#245;es s&#227;o apenas sinais: indicadores de virtudes que ainda precisamos desenvolver e de feridas que precisam de acolhimento.</p><p><strong>E quase nunca &#233; s&#243; sobre o outro.</strong></p><p>Deixo aqui um convite:</p><p>&#8212; Refletir sobre a sua raiva (seja ela em qualquer n&#237;vel, da irrita&#231;&#227;o &#224; f&#250;ria).</p><p><em>Por que ela est&#225; ali?</em></p><p><em>O que ela esconde?</em></p><p><em>O que ela quer me mostrar?</em></p><p>Lembre-se: a raiva &#233; sempre sua e voc&#234; est&#225; projetando-a em algu&#233;m (ou em algo).</p><p>N&#243;s n&#227;o precisamos perdoar ningu&#233;m. O &#250;nico que d&#225; o perd&#227;o j&#225; o fez.</p><p>Com amor,</p><p>Milla Dalbem</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>Esse era para ser um texto sobre perd&#227;o, mas, quando pedi &#224; Fonte inspira&#231;&#227;o, fui intu&#237;da a escrever sobre a raiva primeiro.</p><p><strong>Talvez porque, antes de falar sobre perd&#227;o, precisamos falar sobre aquilo que torna o perd&#227;o t&#227;o dif&#237;cil.</strong></p><p>Fica de olho, porque esse texto ter&#225; uma continua&#231;&#227;o muito especial.</p><p>&#9829;&#65039;</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Estante Terapeuta: o dia em que percebi que estava me escondendo de mim mesma]]></title><description><![CDATA[Um texto sobre identidade, coragem e a dif&#237;cil arte de integrar quem somos em todos os espa&#231;os da vida.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que-0cc</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que-0cc</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Fri, 05 Jun 2026 11:07:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7b2eda8f-c6ed-4909-859c-bb594bdff87c_6000x4000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>N&#227;o foi na terapia.<br>N&#227;o foi em uma cerim&#244;nia.<br>Foi montando uma estante.</p><p>E, mesmo assim, minha alma falou mais alto do que em muitos rituais.</p><p>O que parecia uma tarefa simples se transformou em um espelho.</p><div><hr></div><p>N&#227;o &#233; s&#243; na psican&#225;lise e no Daime que eu encontro respostas &#8212; ou melhor, perguntas.</p><p>Era uma simples estante. E eu estava montando-a pela terceira vez na minha vida; afinal, era a segunda mudan&#231;a em que ela me acompanhava.</p><p>&#201; surpreendente como, com presen&#231;a, precisamos de pouco para mergulhar em n&#243;s mesmos.</p><p>Eu havia planejado que essa estante ficaria na sala. E, enquanto a montava, senti como se ela me pedisse para ficar no meu quarto, em um cantinho onde se tornaria o meu background para as minhas infinitas liga&#231;&#245;es por Zoom.</p><p>Ap&#243;s montada, veio o convite para colocar meus livros em suas prateleiras. Por um segundo, surgiu a d&#250;vida da parte racional que habita em mim:<br>&#8220;Ser&#225; que essa estante n&#227;o vai me expor demais?&#8221;</p><p>Enquanto eu a posicionava de frente para o computador, me senti vulner&#225;vel e exposta. Meus livros falam demais sobre quem sou.</p><p>Alguns livros eu trouxe comigo &#8212; sim, dos meus poucos apegos, os livros sempre foram um deles.</p><p>Comecei pela prateleira de baixo, com os livros mais pesados &#8212; livros que viajaram do Brasil para os Estados Unidos, alguns anos ap&#243;s a minha mudan&#231;a: medicina veterin&#225;ria, acupuntura, auriculoterapia, medicina floral. Parte do meu passado &#8212; um desejo para o futuro. Uma parte minha que foi important&#237;ssima para eu come&#231;ar a compreender quem sou.</p><p>Depois, planejei uma das prateleiras mais altas &#8212; a que ficaria vis&#237;vel aos meus clientes nas liga&#231;&#245;es: alguns livros sobre mentalidade e meu &#250;ltimo certificado na companhia de seguros.</p><p>Decidi que, na prateleira mais alta, ficariam meus bowls tibetanos e alguns tuning forks (instrumentos de sound healing que uso nas medita&#231;&#245;es). At&#233; a&#237;, tudo bem &#8212; afinal, uma agente de seguros pode ter um lado mais sensitivo. Digamos que isso pode at&#233; ser visto como um &#8220;diferencial&#8221;.</p><p>Minha B&#237;blia ficou na primeira prateleira, junto com os instrumentos. Afinal, Deus vem sempre em primeiro lugar. E depois vem o som.</p><p>Chegou a hora de arrumar os livros sobre o sagrado feminino, meus estudos sobre Maria Madalena, a psique da mulher, junto com meus dois exemplares de <em>Mulheres que Correm com os Lobos</em> &#8212; sim, n&#227;o contente com um exemplar, precisei ter uma vers&#227;o em portugu&#234;s e uma em ingl&#234;s.</p><p>Nesse momento, me peguei querendo escond&#234;-los. Me questionei sobre o lugar deles nessa estante que ficaria exposta atr&#225;s de mim nas minhas liga&#231;&#245;es.</p><p>Uma parte do meu trabalho hoje &#233; como agente de seguros de vida, fazendo parte do mundo corporativo. E senti todo o peso que esse universo coloca sobre nossos ombros: passar credibilidade, estabilidade, compet&#234;ncia.</p><p>E ali, naquela prateleira, estava minha busca mais interna, mais sutil, mais profunda. O meu lugar no mundo como mulher, como menina, como esposa, como m&#227;e.</p><p>Havia tamb&#233;m uma exposi&#231;&#227;o da minha espiritualidade &#8212; a que acredita em uma face feminina da cria&#231;&#227;o; a que gosta de rituais; a que acende um palo santo para afastar energias negativas e medita para n&#227;o surtar no meio do caos que &#233; a vida.</p><p>Minha presen&#231;a naquele momento me fez perceber quantas vezes eu achei necess&#225;rio esconder uma vers&#227;o minha para ser aceita em determinado n&#250;cleo. Me fez perceber o quanto tenho dificuldade em reconhecer quem sou &#8212; porque eu mesma sinto dificuldade em integrar todas essas vers&#245;es de mim.</p><p>Como se, para ser bem-sucedida no mundo corporativo, eu tivesse que abafar a facilitadora de rodas de cura. E como se, para servir &#224; espiritualidade, eu tivesse que negar minha busca material.</p><div><hr></div><blockquote><p><strong>Talvez n&#227;o seja falta de tempo&#8230;<br>talvez seja falta de aceita&#231;&#227;o das minhas pr&#243;prias vers&#245;es.</strong></p></blockquote><div><hr></div><p>Em uma simples montagem de uma simples estante, minha alma berrou e me mostrou por que &#233; t&#227;o dif&#237;cil dividir minha energia entre minhas vers&#245;es.</p><p>E quantas vezes, em quantos grupos sociais e momentos do nosso dia a dia, n&#227;o nos escondemos de n&#243;s mesmos por falta de aceita&#231;&#227;o?</p><p>Por conta disso, vivemos como peda&#231;os de um vidro quebrado. Falta o encaixe.</p><p>Talvez eu n&#227;o seja um vaso de cristal. Entendo, neste momento, que sou mesmo um grande mosaico &#8212; ainda incompleto. Minha estante ainda tinha espa&#231;os vazios, que entendi serem ferramentas e vers&#245;es que ainda est&#227;o por vir.</p><p>Fui tomar meu banho e me perguntei:</p><p>Como ser&#225; a vida se eu n&#227;o tentar mais esconder nenhuma vers&#227;o de mim?</p><p>E, mesmo sem ter a resposta ainda, me abro para descobrir.</p><div><hr></div><p><strong>E voc&#234;&#8230;</strong></p><p>Em quais espa&#231;os da sua vida voc&#234; ainda sente que precisa esconder partes de si para ser aceito?</p><p>Qual vers&#227;o sua voc&#234; tem silenciado?</p><div><hr></div><p>Se esse texto falou com voc&#234;, compartilha com algu&#233;m que tamb&#233;m est&#225; tentando se encaixar&#8230;<br>quando, talvez, o caminho seja se integrar.</p><p>E, se quiser caminhar mais fundo comigo, voc&#234; pode se inscrever aqui.</p><div><hr></div><p><strong>Estou aprendendo a n&#227;o me dividir mais para caber.<br>Estou aprendendo a me integrar para existir.</strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Talvez o verdadeiro sonho de princesa fosse envelhecer ao lado de alguém]]></title><description><![CDATA[Crescemos romantizando o amor, mas ningu&#233;m nos ensinou a construir intimidade.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/talvez-o-verdadeiro-sonho-de-princesa</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/talvez-o-verdadeiro-sonho-de-princesa</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Jun 2026 11:07:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cbbb2f54-b5fd-4f4b-8898-f7cdb39a2413_5472x3648.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Rela&#231;&#245;es a gente precisa ter a paci&#234;ncia de construir.</p><p>A Branca de Neve estava l&#225;, inconsciente, e um belo dia acordou com o beijo do pr&#237;ncipe encantado.<br>Rapunzel estava trancafiada, at&#233; que um homem corajoso apareceu e a salvou.<br>Cinderela pediu ajuda &#224; fada madrinha e conquistou o cora&#231;&#227;o do homem mais rico da cidade.</p><p>Mas a gente acorda todos os dias ao lado do Shrek.</p><p>E o que &#8220;parece&#8221; ser algo ruim &#233;, no fundo, o verdadeiro sonho de princesa.</p><p>As hist&#243;rias dessas princesas terminam em um &#8220;viveram felizes para sempre&#8221; que nunca tivemos a chance de ver como realmente foi &#8212; ou como realmente &#233;.</p><p>J&#225; na hist&#243;ria do Shrek, aquele homem n&#227;o t&#227;o bonito, nem t&#227;o simples de lidar, protagoniza talvez a &#250;nica hist&#243;ria onde existe continuidade.<br>H&#225; encontro, conquista, desentendimentos, ajustes e muita paci&#234;ncia. At&#233; que a rela&#231;&#227;o solidifica. Casam. Os filhos chegam.</p><p>E esse talvez seja o verdadeiro &#8220;felizes para sempre&#8221;.</p><p>A essa altura da vida, a gente j&#225; sabe que o &#8220;pra sempre&#8221; sempre acaba &#8212; seja pelo fim de um ciclo ou pelo fim da vida.<br>E tamb&#233;m j&#225; entendemos que o eterno &#233; enquanto dura.</p><p>Mas crescer tendo como refer&#234;ncia de amor apenas a romantiza&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es n&#227;o ajudou em nada na maturidade emocional de n&#243;s, mulheres.</p><p>Amar &#233; verbo.<br>E quando vira substantivo, morre.</p><p>Porque amar exige uma rotina que sustente o amor como verbo.</p><p>As rela&#231;&#245;es que chegam inflamando o cora&#231;&#227;o quase sempre terminam como as hist&#243;rias das princesas: sem continua&#231;&#227;o.</p><p>J&#225; as rela&#231;&#245;es constru&#237;das sobre uma cama de paci&#234;ncia, um castelo de preserva&#231;&#227;o da intimidade do casal, sapatos de cristal que servem aos dois e muita conviv&#234;ncia real&#8230; continuam.</p><p>Continuam no acordar sem a maquiagem da alma.<br>Nos arrotos da personalidade aut&#234;ntica.<br>Na lou&#231;a lavada juntos.<br>Nos sil&#234;ncios atravessados em companhia.</p><p>No fim, se n&#243;s, mulheres, f&#244;ssemos realmente honestas conosco, admitir&#237;amos que o verdadeiro sonho de princesa talvez seja ter a d&#225;diva de envelhecer ao lado de algu&#233;m.</p><p>E, para isso, &#233; preciso paci&#234;ncia.</p><p>Ningu&#233;m nasce pronto.<br>Rela&#231;&#245;es n&#227;o ficam prontas no tempo de preparar um miojo.</p><p>S&#227;o dois mundos colidindo at&#233; aprenderem, aos poucos, a caber um dentro do outro.</p><p>E &#233; devagar que aprendemos a desligar nossos alarmes de prote&#231;&#227;o.<br>&#201; na conviv&#234;ncia cotidiana que desaprendemos padr&#245;es que nos afastavam justamente daquilo que mais desej&#225;vamos.</p><p>E talvez amar seja isso:<br> - Encontrar algu&#233;m que permane&#231;a tempo suficiente para nos enxergar al&#233;m das vers&#245;es bonitas.</p><p>Algu&#233;m diante de quem, aos poucos, a armadura deixa de ser necess&#225;ria.</p><p>Porque, no fim, o verdadeiro sonho nunca foi o pr&#237;ncipe.</p><p>Era construir um lugar onde o amor pudesse tirar os sapatos, sentar &#224; mesa, dividir a lou&#231;a, o sil&#234;ncio, os medos &#8212; e ainda assim escolher ficar.</p><p>Talvez o &#8220;felizes para sempre&#8221; nunca tenha sido sobre perfei&#231;&#227;o.</p><p>Talvez sempre tenha sido sobre continuidade.</p><p></p><p>Com amor <br>Milla Dalbem</p><p></p><div><hr></div><p>Eu adoraria conhecer um pouco das hist&#243;rias de amor de voc&#234;s que est&#227;o por aqui.</p><p>Me conta:<br>o que faz voc&#234; se sentir amado(a)?<br>E qual &#233; a vers&#227;o de amor que voc&#234; tem para oferecer?</p><p>Acredito que, fora da romantiza&#231;&#227;o, pouco se fala sobre isso de forma real.</p><p>E aproveitando&#8230;<br>voc&#234;s acreditam em alma g&#234;mea?</p><p>Gostariam de ler um texto por aqui sobre esse assunto?</p><p>Me deixa um coment&#225;rio ou me manda um e-mail.<br>Vou amar ler voc&#234;s.</p><p>Beijos,<br>Milla</p><div><hr></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Me despeço desse mundo e dessa roupagem]]></title><description><![CDATA[Uma reflex&#227;o profunda sobre espiritualidade, ego, presen&#231;a, mat&#233;ria e o encerramento de ciclos. Um texto sobre abandonar a performance espiritual e voltar para a vida real.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/me-despeco-desse-mundo-e-dessa-roupagem</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/me-despeco-desse-mundo-e-dessa-roupagem</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Fri, 29 May 2026 11:07:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4eea2670-a3b6-4f8c-981e-a0d4ed5436c7_1774x887.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Muitas cartas de encerramento come&#231;am explicando um &#8220;porqu&#234;&#8221; doloroso. E acho que uma das li&#231;&#245;es que mais se fizeram presentes nos &#250;ltimos anos foi a import&#226;ncia do encerramento de ciclos.</p><p>E aqui, atrav&#233;s dessa carta, venho trazendo um encerramento.</p><p>N&#227;o foi a dor o que me trouxe at&#233; aqui. Houve um bocado de decep&#231;&#227;o, e isso eu n&#227;o nego, mas tamb&#233;m houve desafios que eu jamais imaginei que sobreviveria.</p><p>Conheci bem de perto o meu maior inimigo, que tamb&#233;m &#233; o meu maior ve&#237;culo de compreens&#227;o: a minha mente. Ah, como ela me pregou pe&#231;as, ao mesmo tempo em que me permitiu enxergar que o mundo n&#227;o &#233; somente aquilo que vivemos na mat&#233;ria.</p><p>E talvez esse seja o motivo do fim: minha fixa&#231;&#227;o em compreender a mente. Seja a minha, a de quem me rodeia, ou a de quem chegou e chega at&#233; mim.</p><p>Vejo que esses &#250;ltimos anos foram importantes para que eu enxergasse de perto os meus julgamentos, e para que eu fizesse as pazes com esse lado sombra que habita em mim. Deixei muitos julgamentos para tr&#225;s &#8212; obviamente depois de ser engolida pelas consequ&#234;ncias deles, rs.</p><p>E nessa loucura de compreender a minha mente, a mente dos religiosos e a mente dos ateus &#8212; atrav&#233;s das mais de 700 pessoas que cruzaram o meu caminho com a Ayahuasca &#8212; eu compreendi algo que poucos livros escreveram:</p><h2>A vida espiritual n&#227;o importa.</h2><p>Calma, n&#227;o se avexe. Me deixe concluir meu racioc&#237;nio. E antes mesmo que voc&#234; queira opinar sobre os meus pontos de vista, eu te convido a ouvir &#8212; ou, no caso, ler &#8212; esse texto at&#233; o final.</p><h2>A VIDA ESPIRITUAL N&#195;O IMPORTA &#8212; do crente ao ateu.</h2><p>Eu enxerguei uma semelhan&#231;a entre todos eles, que &#233; tamb&#233;m uma diferen&#231;a: n&#227;o importa no que as pessoas acreditam sobre religiosidade ou espiritualidade. A vida de quem pratica o bem e trabalha fortemente para ser eticamente melhor tem mais sentido e mais prop&#243;sito.</p><p>Alguns n&#227;o faziam isso por temor a Deus, pois sequer acreditavam em um. E existem muitas pessoas que carregam o nome de Deus na internet ou na igreja, mas possuem um cora&#231;&#227;o incapaz de perdoar algu&#233;m que as feriu, fazendo com que suas vidas se tornem quase miser&#225;veis.</p><h2>A VIDA ESPIRITUAL N&#195;O IMPORTA &#8212; se voc&#234; n&#227;o cuidar da mat&#233;ria.</h2><p>Do corpo.<br>Do dinheiro.<br>Da casa.<br>Da fam&#237;lia.</p><p>Olha, eu mesma estive l&#225;.</p><p>Eu via meu mentor espiritual. Canalizava mensagens lindas para o cora&#231;&#227;o de algu&#233;m que havia perdido a m&#227;e. Tive acesso &#224; compreens&#227;o de grandes mist&#233;rios e leis universais quase visceralmente.</p><p>Mas estava deixando a educa&#231;&#227;o e o tempo de qualidade com meu filho de lado.</p><p>Trabalhava cada vez menos horas &#8220;na matrix&#8221;, e a consequ&#234;ncia foi que minha condi&#231;&#227;o financeira s&#243; piorava. Ent&#227;o eu voltava l&#225;, gastava mais dinheiro e mais tempo, pedindo uma solu&#231;&#227;o mirabolante.</p><p>No fundo da minha cabe&#231;a, eu sempre escuto uma frase de uma ora&#231;&#227;o que gosto muito:</p><blockquote><p>&#8220;Deus &#233; Prosperidade, pois Ele faz tudo crescer e prosperar. Deus se expressa na prosperidade de tudo o que aqui &#233; empreendido em Seu nome.&#8221;</p></blockquote><p>Ent&#227;o quer dizer que Ele tamb&#233;m est&#225; presente na mat&#233;ria.</p><h2>A VIDA ESPIRITUAL N&#195;O IMPORTA &#8212; se voc&#234; est&#225; vendo energia, curando o planeta, canalizando Shiva, mas se torna mais arrogante a cada troca que tem com outro ser humano.</h2><p>Eu tamb&#233;m estive l&#225;.</p><p>Cheguei a dizer um dia:</p><blockquote><p>&#8220;Essas pessoas n&#227;o t&#234;m o mesmo entendimento que eu tenho.&#8221;</p></blockquote><p>N&#227;o importa o que voc&#234; faz na sua religi&#227;o, qual o seu grau de sacerdote ou qu&#227;o bom profeta voc&#234; &#233;, se, diante da dor ou da ignor&#226;ncia do pr&#243;ximo, voc&#234; veste uma coroa de ilus&#245;es.</p><p>J&#225; dizia um grande amigo meu:</p><blockquote><p>&#8220;Na fila do c&#233;u vai ter mais prostituta do que muito religioso.&#8221;</p></blockquote><h2>A VIDA ESPIRITUAL N&#195;O IMPORTA &#8212; se voc&#234; n&#227;o tem dom&#237;nio sobre a pr&#243;pria mente.</h2><p>Porque a sua experi&#234;ncia ser&#225;, sim, moldada por aquilo que existe dentro do seu c&#233;rebro e do seu cora&#231;&#227;o.</p><p>A forma como voc&#234; ora por algu&#233;m.<br>A forma como voc&#234; incorpora.<br>A forma como a for&#231;a chega.<br>A mensagem que voc&#234; canaliza.</p><p>Se voc&#234; n&#227;o estiver em perfeita harmonia e transe com a consci&#234;ncia do Pai, inevitavelmente colocar&#225; os seus pr&#243;prios filtros naquilo que sai da sua boca.</p><h2>A VIDA ESPIRITUAL N&#195;O IMPORTA &#8212; se voc&#234; n&#227;o estiver presente na mat&#233;ria, no aqui e agora.</h2><p>N&#227;o importa se voc&#234; n&#227;o valoriza a oportunidade que &#233; viver e habitar um templo que &#233; o corpo, a casa e a fam&#237;lia.</p><p>Se voc&#234; n&#227;o vigiar a sua mente, se n&#227;o observar o seu entorno material &#8212; que &#233; apenas uma express&#227;o de quem voc&#234; &#233; no interior e no plano espiritual &#8212; nada importa: nem o tempo que voc&#234; dedica &#224; sua igreja, nem quantas sess&#245;es de Ayahuasca voc&#234; teve na sua jornada.</p><p>E foi ap&#243;s entender que nada disso importava que eu decidi voltar alguns passos. Me dedicar ao simples, ao pequeno, ao n&#227;o t&#227;o espl&#234;ndido e perform&#225;tico universo espiritual.</p><p>Porque eu entendi, finalmente, que eu j&#225; sou a pr&#243;pria espiritualidade.</p><p>Agora, o que eu realmente preciso &#233; dominar o que existe aqui: na pequenez e na aparente insignific&#226;ncia da mat&#233;ria.</p><h2>EU SOU A ESPIRITUALIDADE.</h2><p>Porque quando eu respondo &#224; pergunta &#8220;quem sou eu?&#8221;, minha resposta &#233; sempre a mesma:</p><blockquote><p>Um esp&#237;rito aprendendo a viver. Aprendendo a se melhorar.</p></blockquote><p>Muitas vezes pratiquei muito mais espiritualidade nos momentos em que ningu&#233;m estava vendo:</p><p>quando n&#227;o peguei um dinheiro que n&#227;o era meu,<br>quando n&#227;o passei a perna em algu&#233;m,<br>quando me arrependi sinceramente das coisas erradas que fiz,<br>quando perdoei quem causou dores inimagin&#225;veis em mim.</p><p>Dif&#237;cil mesmo &#233; ser bom quando ningu&#233;m est&#225; vendo.</p><p>Dif&#237;cil mesmo &#233; sustentar a pr&#243;pria exist&#234;ncia.</p><p>Dif&#237;cil &#8212; e profundamente espiritual &#8212; &#233; sustentar a pr&#243;pria vida, as pr&#243;prias decis&#245;es e exercitar a autorresponsabilidade.</p><p>E &#233; isso que estou vivendo hoje.</p><p>Posso afirmar que, pela primeira vez em 34 anos, encontrei paz.</p><p>Na minha rotina.<br>No meu corpo.<br>No meu lar.<br>Nos meus relacionamentos.</p><p>E &#233; sobre isso que vou escrever e falar daqui para frente.</p><p>Sempre vou honrar esse &#8220;mundo&#8221; que vivi, essa roupagem que vesti &#8212; porque tudo isso me trouxe at&#233; aqui, at&#233; este momento.</p><p>E espero, no caminho, poder inspirar atrav&#233;s do exemplo.</p><div><hr></div><h2>COMUNICADO</h2><p>N&#227;o estou mais na lideran&#231;a da igreja Caminho das Rosas, tampouco me disponho como facilitadora.</p><p>Foi um dos per&#237;odos mais lindos e de maior aprendizado que vivi em toda a minha vida.</p><p>Sou grata a CADA uma das pessoas que cruzaram o meu caminho nesses &#250;ltimos 7 anos, e a todas as experi&#234;ncias e rela&#231;&#245;es vividas.</p><div><hr></div><p>Se esse texto tocou voc&#234; de alguma forma, compartilhe &#8212; e se inscreva no meu Substack para acompanhar os pr&#243;ximos cap&#237;tulos dessa nova fase.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O mais perigoso do piloto automático é que ele parece funcional]]></title><description><![CDATA[Uma mulher pode continuar funcionando por anos sem perceber que j&#225; n&#227;o consegue mais se sentir dentro da pr&#243;pria vida.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-mais-perigoso-do-piloto-automatico</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-mais-perigoso-do-piloto-automatico</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 26 May 2026 11:07:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b623fdbb-6fa3-4bbe-be5d-3e471ca8b821_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia ela acordou.<br>N&#227;o como todos os dias.</p><p>Parecia n&#227;o ter vontade de falar.<br>Se sentia mais cansada que o normal.</p><p>Seu companheiro acordou tamb&#233;m e, como fazia todas as manh&#227;s, a abra&#231;ou.</p><p>E por mais que ela tenha abra&#231;ado de volta, <strong>ela n&#227;o estava presente naquele abra&#231;o.</strong></p><p>E ele sentiu.</p><p>&#8220;Mal acordei&#8230; o que ser&#225; que fiz de errado dessa vez?&#8221;</p><p>E como n&#243;s ouvimos tamb&#233;m aquilo que n&#227;o &#233; dito, ela se defendeu:</p><p>&#8212; &#8220;N&#227;o acordei bem hoje.&#8221;</p><p>A verdade &#233; que ela n&#227;o estava bem.<br>E n&#227;o era de hoje.</p><p>No caf&#233; da manh&#227;, a desconex&#227;o da manh&#227; virou atrito.</p><p>N&#227;o que existisse, de fato, algo grave acontecendo.<br>Mas o elefante branco ocupava quase toda a cozinha.</p><p>As coisas fora do lugar come&#231;aram a gerar uma agonia silenciosa nela.<br>Os suspiros de frustra&#231;&#227;o enquanto preparava os ovos.<br>O olhar baixo.<br>A irrita&#231;&#227;o escondida na forma como fechava as gavetas.</p><p>E ele, percebendo aquela mudan&#231;a de energia sem entender exatamente o motivo, entrou em estado de alerta.</p><p><strong>N&#227;o havia nada necessariamente errado na rela&#231;&#227;o.</strong><br>Mas parecia haver.</p><p>Ela, por n&#227;o conseguir nomear o que estava sentindo.<br>Ele, por achar que precisava se defender de algo que nem tinha feito.</p><p>E assim come&#231;aram o dia.</p><p>O dia se arrastou.</p><p>Ela se sentia como se os dementadores de Azkaban tivessem puxado sua alma para fora do corpo.</p><p>E ele overthinking, tentando entender o que estava acontecendo.</p><p>Enquanto trabalhava, ela n&#227;o pensava em nada.</p><p>Apesar de sentir que sua alma n&#227;o estava ali, cumpria todos os prazos.<br>Era cordial com os colegas.<br>Estava bem vestida.<br>Respondia e-mails.<br>Participava das reuni&#245;es.</p><p>E &#224;s vezes at&#233; esquecia que havia algo estranho dentro dela.</p><p>Mas contava os minutos para o dia acabar.</p><p>Para chegar em casa, tomar banho e assistir alguma coisa.<br>Porque pelo menos diante da nova temporada da sua s&#233;rie favorita, ela n&#227;o precisava encarar o vazio silencioso que vinha ocupando o peito h&#225; meses.</p><p>Mas que vazio era esse?</p><p>Ela chega em casa.</p><p>E a realidade n&#227;o &#233; aquela fantasia de descanso que sua mente criou durante o expediente.</p><p>Ainda existe roupa para lavar.<br>Comida para fazer.<br>Conta de luz para pagar.<br>Mensagens para responder.<br>A rotina inteira esperando por ela.</p><p>S&#227;o tantas coisas para fazer que ela decide sentar &#8220;s&#243; 10 minutinhos&#8221; no sof&#225; antes de come&#231;ar.</p><p>E quando percebe, <strong>uma hora e meia se passou olhando o Instagram.</strong></p><p>A roupa vai ficar para amanh&#227;.<br>Ou talvez para a pr&#243;xima semana mesmo.</p><p>Ficou tarde demais.</p><p>Ela est&#225; cansada demais.</p><p>Ent&#227;o prefere pedir comida ao inv&#233;s de cozinhar.</p><p>Nos &#250;ltimos meses, ganhou peso.</p><p>Mas acredita que talvez seja a tireoide.<br>Ou a idade.<br>Ou os horm&#244;nios.</p><p>&#8220;Talvez seja normal&#8230;&#8221;</p><p>E talvez seja exatamente isso que mais assusta.</p><p>Porque aos poucos ela foi aprendendo a normalizar o pr&#243;prio desaparecimento.</p><p>&#192;s vezes pensa:</p><p><strong>&#8220;Onde foi que eu me perdi?&#8221;</strong></p><p>Mas para quem nunca aprendeu a nomear emo&#231;&#245;es, o piloto autom&#225;tico entra em a&#231;&#227;o rapidamente.</p><p>Afinal, <strong>n&#227;o saber tamb&#233;m &#233; uma forma de prote&#231;&#227;o.</strong></p><p>Ou pelo menos parece ser.</p><p>&#8212;</p><p>Essa &#233; a hist&#243;ria de uma paciente.</p><p>Mas tamb&#233;m j&#225; foi a minha.</p><p>E talvez, em algum n&#237;vel, seja a sua tamb&#233;m.</p><p>Porque &#224;s vezes a gente n&#227;o est&#225; triste o suficiente para pedir ajuda.</p><p>S&#243; cansada o suficiente para desaparecer de si mesma aos poucos.</p><p>E o mais perigoso do piloto autom&#225;tico &#233; que ele parece funcional.</p><p>Voc&#234; continua trabalhando.<br>Continua respondendo mensagens.<br>Continua pagando boletos.<br>Continua existindo.</p><p>Mas j&#225; n&#227;o consegue mais se sentir dentro da pr&#243;pria vida.</p><p>Eu precisei aprender sozinha a entender o que meu corpo estava tentando me dizer antes que o vazio virasse identidade.</p><p>E talvez esse seja o problema de muitas mulheres adultas:</p><p><strong>elas s&#243; percebem que desapareceram de si mesmas quando j&#225; n&#227;o conseguem mais sentir prazer na pr&#243;pria rotina.</strong></p><p>Por isso, se voc&#234; se reconheceu em alguma parte dessa narrativa, eu gostaria de te presentear com 30 minutos de uma conversa particular comigo.</p><p>Sem press&#227;o.<br>Sem performance.<br>Sem precisar sustentar a imagem de quem est&#225; dando conta de tudo.</p><p>S&#243; um espa&#231;o seguro para talvez come&#231;ar a entender:</p><p><strong>onde foi que voc&#234; se deixou para tr&#225;s.</strong></p><p>&#8212;</p><p>Se esse texto encontrou uma parte sua que anda silenciosamente cansada, voc&#234; pode se inscrever no Substack para acompanhar os pr&#243;ximos textos dessa s&#233;rie.</p><p>Talvez seja hora de voltar para si mesma antes de desaparecer de vez da pr&#243;pria vida.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu me despi de tudo — e voltei para onde sempre soube que devia estar]]></title><description><![CDATA[Carta de abertura &#183; Milla Dalbem]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/eu-me-despi-de-tudo-e-voltei-para</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/eu-me-despi-de-tudo-e-voltei-para</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 21 May 2026 11:07:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8731efcc-bc55-4e17-bddb-d224683dd233_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Aos 34 anos, pela primeira vez na minha vida, eu tenho paz.</p><p>N&#227;o a paz que aparece depois de uma sess&#227;o de medita&#231;&#227;o ou de um fim de semana de retiro. N&#227;o a paz que dura enquanto o ambiente est&#225; calmo.</p><p>A paz da rotina. Do corpo. Do lar. Das decis&#245;es.</p><p>E cheguei at&#233; aqui de um jeito que ningu&#233;m me contou que era poss&#237;vel: voltando.</p><p>Voltando para mim. Para o trabalho que j&#225; era meu h&#225; mais de dez anos. Para o que eu sempre soube fazer &#8212; antes de me perder na busca por algo maior.</p><div><hr></div><p>Constru&#237; a minha vida do zero &#8212; sem rede de seguran&#231;a, sem ningu&#233;m para segurar a ponta por mim.</p><p>Fui m&#227;e solo por anos. Aprendi a n&#227;o esperar ser salva. Aprendi a escolher &#8212; e a pagar o pre&#231;o das escolhas que eu fiz. Aprendi, na carne, o que &#233; se recusar a viver de migalhas &#8212; em relacionamentos, em dinheiro, em sonhos.</p><p>E quando finalmente encontrei um amor de verdade, entendi a diferen&#231;a entre quem chega inteira para uma rela&#231;&#227;o e quem chega precisando ser completada.</p><p>Tudo isso me fez terapeuta antes mesmo de eu me chamar assim.</p><div><hr></div><p>Por mais de dez anos, fiz esse trabalho. Acompanhei mulheres em processos de mudan&#231;a real &#8212; n&#227;o s&#243; de compreens&#227;o, mas de vida.</p><p>At&#233; que me perdi.</p><p>N&#227;o de uma vez. Foi gradual &#8212; como toda perda que acontece quando a gente est&#225; ocupada demais olhando para outro lugar.</p><p>Me dediquei profundamente &#224; espiritualidade. Liderei uma igreja. Passei por mais de 700 pessoas em sess&#245;es com Ayahuasca. Canalizei, compreendi, expandi.</p><p>E enquanto isso, fui deixando meu filho, minha estabilidade e o meu pr&#243;prio trabalho de lado. Trabalhava cada vez menos horas. Via minha condi&#231;&#227;o financeira piorar. E voltava para o mesmo lugar pedindo uma solu&#231;&#227;o que nunca chegava da forma que eu esperava.</p><p>Aprendi da forma mais concreta poss&#237;vel:</p><p><strong>Consci&#234;ncia sem a&#231;&#227;o n&#227;o muda nada.</strong></p><p>N&#227;o importa quantas sess&#245;es, quantos insights, quanta expans&#227;o &#8212; se isso n&#227;o vira vida, decis&#227;o e movimento, n&#227;o &#233; transforma&#231;&#227;o. &#201; fuga com roupagem bonita.</p><div><hr></div><p>Ent&#227;o eu parei.</p><p>Me dediquei ao simples. Ao pequeno. Ao que estava aqui &#8212; no corpo, na rotina, nos relacionamentos, nas escolhas do dia a dia.</p><p>N&#227;o porque abandonei o que acredito. Mas porque entendi que eu j&#225; sou a pr&#243;pria espiritualidade &#8212; e o que eu precisava era aprender a viver aqui, na mat&#233;ria, com presen&#231;a e dire&#231;&#227;o.</p><p>E voltei para o meu trabalho.</p><p>Com dez anos a mais de vida vivida. Com a hist&#243;ria de quem saiu do pa&#237;s sem rede, criou filho sozinha, foi engolida pelas pr&#243;prias ilus&#245;es e saiu de l&#225; de p&#233;. Com a firmeza de quem sabe exatamente o que &#233; chegar no limite &#8212; porque j&#225; esteve l&#225;.</p><div><hr></div><p>&#201; sobre isso que vou escrever aqui.</p><p>N&#227;o vou te vender processos infinitos de autoconhecimento. N&#227;o vou romantizar a dor. N&#227;o vou criar depend&#234;ncia de mim.</p><p>Vou falar de consci&#234;ncia que vira vida. De regula&#231;&#227;o emocional que funciona na segunda-feira de manh&#227;, n&#227;o s&#243; no retiro. De relacionamentos, de decis&#245;es, de como sair do modo sobreviv&#234;ncia e construir algo que faz sentido de verdade.</p><p>Com o colo de quem sabe o que &#233; n&#227;o ter para quem correr.</p><p>E com a clareza de quem aprendeu, na pr&#225;tica, que sustentar a pr&#243;pria vida &#233; o ato mais espiritual que existe.</p><div><hr></div><p>Se voc&#234; chegou at&#233; aqui, provavelmente reconhece algo nessas palavras.</p><p>Bem-vinda.</p><p><em>&#8212; Milla Dalbem<br><br></em></p><p><em><br></em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A bênção da falta de opção]]></title><description><![CDATA[Quando n&#227;o h&#225; escolha, voc&#234; descobre quem voc&#234; &#233; &#8212; e onde decide colocar sua aten&#231;&#227;o.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Sun, 26 Apr 2026 23:13:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/eb013152-7e38-4623-97a4-9f9ffff29eaa_1774x887.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses me perguntaram:<br>&#8220;Mas como voc&#234; deu conta?&#8221;</p><p>Por um segundo, bem breve, eu me perguntei tamb&#233;m:<br>&#8220;Como &#233; que eu dou conta?&#8221;</p><p>A resposta saiu da minha boca com uma leve batida do ombro na orelha, sem que eu pudesse sequer pensar:<br>&#8220;Falta de op&#231;&#227;o!&#8221;</p><p>&#201; simples assim. &#192;s vezes, a falta de op&#231;&#227;o se torna uma b&#234;n&#231;&#227;o.</p><p>Essa conversa aconteceu entre eu e uma prima. Ela acabava de se tornar m&#227;e pela segunda vez e, apesar da loucura de ter duas filhas com menos de um ano de diferen&#231;a entre elas, possui uma grande rede de apoio. E me perguntava como eu dava &#8212; ou havia dado &#8212; conta de tudo, sendo m&#227;e solo e imigrante.</p><p>Confesso que, quando ela me perguntou como eu dava conta, fiquei intrigada com a pergunta. Afinal, eu nunca havia pensado sobre isso.</p><p>A maternidade nunca foi pesada para mim. E n&#227;o porque n&#227;o tenha sido, de fato, cheia de desafios, algumas dores e muita abdica&#231;&#227;o dos meus sonhos e planos. Mas talvez, pela falta de op&#231;&#227;o, eu nunca me permiti parar para sentir o peso da minha realidade. At&#233; aquele momento.</p><p>Me lembro que, quando meu filho tinha um ano e meio, nos mudamos para a Fl&#243;rida. Decidi morar a 10 minutos da praia. Sa&#237;mos do gelo de Massachusetts para o calor escaldante de Sarasota, no lado oeste da Fl&#243;rida. E outros tr&#234;s roommates* mudaram com a gente.</p><p>Duas mulheres entraram em depress&#227;o nos primeiros meses da mudan&#231;a. Lembro que as duas ficavam quase o dia todo no quarto, de janela fechada, e uma pouca vontade de viver habitava nelas.</p><p>Eu tamb&#233;m senti isso. N&#227;o ter nenhum rosto conhecido para visitar, o mercado que n&#227;o tem as coisas que voc&#234; quer comprar, os caminhos que voc&#234; ainda n&#227;o conhece, n&#227;o saber o que fazer depois, nem para onde ir&#8230; tudo isso pode ser, de fato, overwhelming para o nosso c&#233;rebro, que detesta gastar energia e prefere o conforto do que j&#225; &#233; conhecido.</p><p>Por&#233;m, eu n&#227;o tinha op&#231;&#227;o.</p><p>Se eu ficasse apenas um dia em casa, me rendesse ao sono da depress&#227;o &#8212; aquele que s&#243; quem j&#225; perdeu o brilho conhece &#8212;, eu n&#227;o compraria fraldas no dia seguinte e n&#227;o alimentaria meu filho nos dois dias seguintes.</p><p>Ent&#227;o, mesmo me arrastando para levantar, eu sa&#237;a da cama. Eu abria a janela. Talvez eu n&#227;o limpasse o quarto como quando estou bem, mas eu sa&#237;a para trabalhar. Talvez com mais remela no olho e o cabelo sem pentear, mas eu sa&#237;a. Havia um motivo maior do que eu mesma: a falta de op&#231;&#227;o.</p><p>Eu tamb&#233;m n&#227;o pude respeitar meu puerp&#233;rio, nem o resguardo da minha ces&#225;rea. Eu precisava trabalhar para garantir o teto que meu filho teria ap&#243;s os 24 dias de UTI neonatal. Ent&#227;o, o baby blues n&#227;o conseguiu correr t&#227;o r&#225;pido quanto as minhas necessidades.</p><p>E n&#227;o falando apenas de maternidade &#8212; nem somente da vida de imigrante, que tantos reclamam pelas horas excessivas de trabalho ou pelas poucas oportunidades &#8212;, eu decidi que a vida n&#227;o seria pesada para mim.</p><p>Aprendi com a falta de op&#231;&#227;o que n&#227;o &#233; ela que torna as coisas mais leves, mas sim onde colocamos o nosso foco diante dela: vamos sucumbir ou vamos dar o nosso melhor, mesmo que as condi&#231;&#245;es sejam insuficientes e os recursos limitados?</p><p>Onde voc&#234; escolhe focar a sua aten&#231;&#227;o quando est&#225; diante de um problema? Ou melhor: qual vers&#227;o de si mesma voc&#234; est&#225; criando diante da adversidade?</p><p>Se voc&#234; escolhe reclamar, voc&#234; se torna v&#237;tima &#8212; e v&#237;tima nunca vence batalhas.<br>Se voc&#234; escolhe virar uma guerreira, talvez at&#233; ven&#231;a algumas batalhas, mas a luta se torna infinita, e rapidamente voc&#234; se v&#234; drenada.</p><p>Agora, quando voc&#234; escolhe ser resist&#234;ncia, voc&#234; n&#227;o precisa nem se esfor&#231;ar. Voc&#234; s&#243; precisa comparecer. Estar presente para si mesma e para o seu pr&#243;prio dia.</p><p>A paz que tanto buscamos &#233; um estado de esp&#237;rito. &#201; consci&#234;ncia. &#201; presen&#231;a. &#201; unicidade com o fluxo da vida.</p><p>Os problemas s&#227;o inesgot&#225;veis. Quando voc&#234; resolve um, outro surge em seguida. Essa &#233; uma lei da vida &#8212; &#233; assim que nossas virtudes e sombras s&#227;o colocadas &#224; prova.</p><p>O segredo &#233; aprender a viver entre eles.<br>Ou melhor: durante eles.</p><p></p><p>Com amor<br>Milla Dalbem<br>26/04/2026</p><div><hr></div><p>Se esse texto falou com voc&#234; de alguma forma, deixa o seu like para eu saber que ele fez a diferen&#231;a no seu dia. Se voc&#234; j&#225; passou por algo parecido, deixe um coment&#225;rio contando sua hist&#243;ria. E se voc&#234; achar que faz sentido, compartilhe com algu&#233;m, pois meu sonho &#233; poder viver da escrita um dia no futuro pr&#243;ximo. </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p><br><br>*Roommates s&#227;o as pessoas que dividem casa com voc&#234;, dividem o aluguel.<br>*Overwhelming - algo que te drena, te deixa muito cansado. </p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>*</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Estante Terapeuta: o dia em que percebi que estava me escondendo de mim mesma]]></title><description><![CDATA[Um texto sobre identidade, coragem e a dif&#237;cil arte de integrar quem somos em todos os espa&#231;os da vida.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 21 Apr 2026 19:57:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6d3ec389-915f-46ef-b152-7110ea5edb5c_1774x887.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>N&#227;o foi na terapia.<br>N&#227;o foi em uma cerim&#244;nia.<br>Foi montando uma estante.</p><p>E, mesmo assim, minha alma falou mais alto do que em muitos rituais. O que parecia uma tarefa simples se transformou em um espelho.</p><div><hr></div><p>N&#227;o &#233; s&#243; na psican&#225;lise e no Daime que eu encontro respostas &#8212; ou melhor, perguntas.</p><p>Era uma simples estante. E eu estava montando-a pela terceira vez na minha vida; afinal, era a segunda mudan&#231;a em que ela me acompanhava.</p><p>&#201; surpreendente como, com presen&#231;a, precisamos de pouco para mergulhar em n&#243;s mesmos.</p><p>Eu havia planejado que essa estante ficaria na sala. E, enquanto a montava, senti como se ela me pedisse para ficar no meu quarto, em um cantinho onde se tornaria o meu background para as minhas infinitas liga&#231;&#245;es por Zoom.</p><p>Ap&#243;s montada, veio o convite para colocar meus livros em suas prateleiras. Por um segundo, surgiu a d&#250;vida da parte racional que habita em mim:<br>&#8220;Ser&#225; que essa estante n&#227;o vai me expor demais?&#8221;</p><p>Enquanto eu a posicionava de frente para o computador, me senti vulner&#225;vel e exposta. Meus livros falam demais sobre quem sou.</p><p>Alguns livros eu trouxe comigo &#8212; sim, dos meus poucos apegos, os livros sempre foram um deles.</p><p>Comecei pela prateleira de baixo, com os livros mais pesados &#8212; livros que viajaram do Brasil para os Estados Unidos, alguns anos ap&#243;s a minha mudan&#231;a: medicina veterin&#225;ria, acupuntura, auriculoterapia, medicina floral. Parte do meu passado &#8212; um desejo para o futuro. Uma parte minha que foi important&#237;ssima para eu come&#231;ar a compreender quem sou.</p><p>Depois, planejei uma das prateleiras mais altas &#8212; a que ficaria vis&#237;vel aos meus clientes nas liga&#231;&#245;es: alguns livros sobre mentalidade e meu &#250;ltimo certificado na companhia de seguros.</p><p>Decidi que, na prateleira mais alta, ficariam meus bowls tibetanos e alguns tuning forks (instrumentos de sound healing que uso nas medita&#231;&#245;es). At&#233; a&#237;, tudo bem &#8212; afinal, uma agente de seguros pode ter um lado mais sensitivo. Digamos que isso pode at&#233; ser visto como um &#8220;diferencial&#8221;.</p><p>Minha B&#237;blia ficou na primeira prateleira, junto com os instrumentos. Afinal, Deus vem sempre em primeiro lugar. E depois vem o som.</p><p>Chegou a hora de arrumar os livros sobre o sagrado feminino, meus estudos sobre Maria Madalena, a psique da mulher, junto com meus dois exemplares de <em>Mulheres que Correm com os Lobos</em> &#8212; sim, n&#227;o contente com um exemplar, precisei ter uma vers&#227;o em portugu&#234;s e uma em ingl&#234;s.</p><p>Nesse momento, me peguei querendo escond&#234;-los. Me questionei sobre o lugar deles nessa estante que ficaria exposta atr&#225;s de mim nas minhas liga&#231;&#245;es.</p><p>Uma parte do meu trabalho hoje &#233; como agente de seguros de vida, fazendo parte do mundo corporativo. E senti todo o peso que esse universo coloca sobre nossos ombros: passar credibilidade, estabilidade, compet&#234;ncia.</p><p>E ali, naquela prateleira, estava minha busca mais interna, mais sutil, mais profunda. O meu lugar no mundo como mulher, como menina, como esposa, como m&#227;e.</p><p>Havia tamb&#233;m uma exposi&#231;&#227;o da minha espiritualidade &#8212; a que acredita em uma face feminina da cria&#231;&#227;o; a que gosta de rituais; a que acende um palo santo para afastar energias negativas e medita para n&#227;o surtar no meio do caos que &#233; a vida.</p><p>Minha presen&#231;a naquele momento me fez perceber quantas vezes eu achei necess&#225;rio esconder uma vers&#227;o minha para ser aceita em determinado n&#250;cleo. Me fez perceber o quanto tenho dificuldade em reconhecer quem sou &#8212; porque eu mesma sinto dificuldade em integrar todas essas vers&#245;es de mim.</p><p>Como se, para ser bem-sucedida no mundo corporativo, eu tivesse que abafar a facilitadora de rodas de cura. E como se, para servir &#224; espiritualidade, eu tivesse que negar minha busca material.</p><p>Em uma simples montagem de uma simples estante, minha alma berrou e me mostrou por que &#233; t&#227;o dif&#237;cil dividir minha energia entre minhas vers&#245;es: talvez n&#227;o seja a falta de organiza&#231;&#227;o do meu tempo, e sim a falta de aceita&#231;&#227;o das minhas pr&#243;prias vers&#245;es.</p><p>E quantas vezes, em quantos grupos sociais e momentos do nosso dia a dia, n&#227;o nos escondemos de n&#243;s mesmos por falta de aceita&#231;&#227;o?</p><p>Por conta disso, vivemos como peda&#231;os de um vidro quebrado. Falta o encaixe.</p><p>Talvez eu n&#227;o seja um vaso de cristal. Entendo, neste momento, que sou mesmo um grande mosaico &#8212; ainda incompleto. Minha estante ainda tinha espa&#231;os vazios, que entendi serem ferramentas e vers&#245;es que ainda est&#227;o por vir.</p><p>Fui tomar meu banho e me perguntei:<br>Como ser&#225; a vida se eu n&#227;o tentar mais esconder nenhuma vers&#227;o de mim?</p><p>E, mesmo sem ter a resposta ainda, me abro para descobrir.</p><div><hr></div><p><strong>E voc&#234;&#8230;</strong></p><p>Em quais espa&#231;os da sua vida voc&#234; ainda sente que precisa esconder partes de si para ser aceito?</p><p>Qual vers&#227;o sua voc&#234; tem silenciado?</p><div><hr></div><p>Se esse texto falou com voc&#234;, compartilhe com algu&#233;m que tamb&#233;m est&#225; tentando se encaixar&#8230; quando, talvez, o caminho seja se integrar.</p><p>E se quiser caminhar mais fundo comigo, voc&#234; pode se inscrever aqui.</p><p><strong>Estou aprendendo a n&#227;o me dividir mais para caber.<br>Estou aprendendo a me integrar para existir.<br><br></strong>Com amor, <br>Milla Dalbem</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Heroi sem capa, mas de farda. ]]></title><description><![CDATA[22 anos comemorando seu aniversario no astral.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/heroi-sem-capa-mas-de-farda</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/heroi-sem-capa-mas-de-farda</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 22 Jan 2026 15:09:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ele tinha 44 anos e uma vida cheia de sonhos. </p><p>Na verdade ele tinha 43 anos e nunca chegou a comemorar seus 44, pois faltando 5 dias para seu anivers&#225;rio, ele completou seu contrato com Deus. </p><p>Hoje me dei conta de que ningu&#233;m nunca escreveu a hist&#243;ria desse <strong>super-her&#243;i sem capa</strong>, talvez a realidade da farda e do terno n&#227;o tenha tanta import&#226;ncia como a fic&#231;&#227;o que passa na tv. </p><p>Ele era um homem de uma &#250;nica palavra. </p><p>E em 34 anos de minha vida, eu encontrei poucos como ele. Inclusive ele era t&#227;o &#250;nico que algumas vezes dentro de mim, n&#227;o o compreendi - especialmente minha inner teenager que detestava abaixar a cabe&#231;a para seus comandos. </p><p>Eu n&#227;o sei muito sobre sua hist&#243;ria antes de ser pai - e hoje sendo m&#227;e, compreendo que somos uma pessoa antes e outra completamente diferente ap&#243;s tornarmos respons&#225;veis por outra cria&#231;&#227;o al&#233;m da nossa - mas do pouco que sei, sei que foi muito pobre. </p><p>Lembro de hist&#243;rias sobre como sua fam&#237;lia, muitas vezes, tinha apenas uma cebola e uma salsinha para dividir entre 6 pessoas, e como isso moldou-o a ter como foco n&#250;mero um n&#227;o deixar faltar alimento em casa.</p><p>Ele era at&#233; parecido com o &#8220;pai do Chris&#8221;, pois tinha 2 empregos fixos e fazia muitos outros freelancers. O que diminu&#237;a, muito, a sua presen&#231;a. </p><p>A sua aus&#234;ncia era sentida pela garotinha que fui. Mas a mulher que me tornei foi fruto de todas as li&#231;&#245;es morais que ele deixou, nos curtos 12 anos que pude desfrutar de sua presen&#231;a em minha vida. Hoje entendo, depois de muita terapia, que a vida tem um sabor &#8220;bitter-sweet&#8221; e reconhe&#231;o seus esfor&#231;os para abrir o caminho para que minha vida (e a de meus irm&#227;os) fosse poss&#237;vel.</p><p>Vendo o mundo atual, sinto falta de sua presen&#231;a, pois sei que existiam dentro daquele homem muitos valores que est&#227;o sendo perdidos pela nossa gera&#231;&#227;o. A for&#231;a, a estrutura, a coragem e a dignidade de um masculino que sabia cuidar de sua casa como um le&#227;o. </p><p>A voz desse homem era ouvida, sem nunca precisar gritar. Ele falava inclusive com os olhos, que me educaram muito mais do que os gritos do mundo. Ele inspirava. Era um homem forte, espiritualidade mais forte ainda. Mas como muitos homens, n&#227;o sabia se livrar das dores da alma, o que acredito que foi a maior respons&#225;vel pelo adoecimento do seu corpo f&#237;sico.</p><p>Eu tamb&#233;m pude presenciar o que &#233; a adora&#231;&#227;o m&#250;tua em um relacionamento - apesar de algumas brigas, eu via o tanto que meu pai e minha m&#227;e n&#227;o biol&#243;gica se adoravam, o tanto de devoc&#227;o havia entre eles.</p><p>Outra li&#231;&#227;o que pude aprender com esse her&#243;i sem capa: &#233; que n&#227;o podemos deixar os nossos sonhos para amanh&#227;, talvez o amanh&#227; nunca chegue. </p><p>Feliz aniversario.</p><p>E gratid&#227;o &#224; vida por 22 anos depois, poder me ajudar a compreender o que um dia tanto julguei. </p><p>E um conselho a mim mesma: &#192;s vezes a dor (a tristeza, a raiva, etc.) nos impede de ver o lado bom do outro, ou das hist&#243;rias. </p><p><strong>TUDO &#201; PARTE DO TODO.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu n&#227;o queria mais escrever aqui. <br>Embora eu saiba o quanto amo escrever. <br><br>Minha amiga me ligou esses dias, disse que leu meu texto sobre a preocupa&#231;&#227;o e que por coincid&#234;ncia ela passou por um processo parecido enquanto ela estava em uma cerim&#244;nia do Daime: quando a for&#231;a chegou, ela achou que tinha perdido a chave. Ela ent&#227;o se lembrou da minha experi&#234;ncia e conseguiu p&#244;r em pr&#225;tica os aprendizados daquela sess&#227;o. Disse tambem que conseguiu praticar no dia a dia.<br><br>Great! Essa &#233; a ideia mesmo que eu havia visto na for&#231;a, de trazer os ensinamentos aqui e que eles chegassem a que precisa. E com bastante entusiasmo, ela me pediu para continuar escrevendo. <br><br>Eu pude entao desabafar: </p><blockquote><p>N&#227;o estou conseguindo, parece que nada bom est&#225; saindo de dentro de mim. Come&#231;o a escrever e logo me torno muito cr&#237;tica. Come&#231;o a escrever e logo percebo que minha opini&#227;o est&#225; escolhendo um lado de alguma hist&#243;ria. Come&#231;o a escrever e percebo que quero gritar pedindo socorro por tudo que est&#225; acontecendo no mundo. N&#227;o posso e n&#227;o quero. N&#227;o &#233; seguro.</p></blockquote><p>N&#227;o &#233; seguro porque quando eu era adolescente, eu usei a escrita para aliviar a dor, a raiva e a tristeza que eu sentia - e isso um dia magoou algu&#233;m que me puniu por isso, ent&#227;o tenho medo de escrever e as pessoas se reconhecerem nas hist&#243;rias. </p><p>N&#227;o &#233; seguro porque quando eu era uma jovem adulta morando no Canad&#225;, o governo fazia propaganda para desencorajar o uso da internet e das redes sociais, que fez eu deletar meu blog com&nbsp;<em>3k views a day</em>. </p><p>N&#227;o &#233; seguro porque falar a verdade hoje em dia n&#227;o &#233; mais aceito. Nem pelo governo, nem pelas pessoas que convivem com voc&#234; diariamente. <br><br>Estamos em uma era onde preferimos &#8220;fingir de morto&#8221; e n&#227;o falar sobre os assuntos - na ilus&#227;o de que vamos evitar problemas. Enquanto nos afogamos nas palavras n&#227;o ditas e n&#227;o escritas. </p><p>Talvez realmente n&#227;o seja seguro. </p><p>Mas essa amiga que me ligou, ela &#233; paulista como eu, o que me lembrou que na selva de pedra n&#227;o temos tempo para perder com medo. Essa liga&#231;&#227;o dela tamb&#233;m assim, t&#227;o despretensiosa, me lembrou que Deus usa as pessoas ao nosso redor para mandar os recados. </p><p>Ent&#227;o estou aqui eu, escrevendo sobre o meu medo, com o meu medo, talvez para aliviar um pouco, talvez para me acostumar um bocado mais, talvez para te lembrar que tem alguns passos na vida que a gente tem que dar, enquanto sentimos medo mesmo.<br><br>E &#233; isso,</p><p></p><p>Com amor<br>Milla Dalbem</p><p><br></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Som da Preocupação]]></title><description><![CDATA[O que aprendi ao ouvir o choro do meu filho em uma cerim&#244;nia de Ayahuasca]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-som-da-preocupacao</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-som-da-preocupacao</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 08 Jan 2026 22:06:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/99a72154-33cc-41de-a7ca-6dba0aab7cf0_5472x3648.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A maioria das pessoas que me acompanham sabe que sou praticante do xamanismo e que consagro Ayahuasca com frequ&#234;ncia. Um dos motivos pelos quais decidi voltar a escrever &#233; porque tenho incont&#225;veis folhas com aprendizados que recebi durante as cerim&#244;nias.</p><p>Aprendo muito sobre as emo&#231;&#245;es &#8212; sobre como perceb&#234;-las, reconhec&#234;-las e contornar algumas delas. Muitas mira&#231;&#245;es que vivi encontraram lugar no papel. Hoje, quero compartilhar uma li&#231;&#227;o sobre a <strong>PREOCUPA&#199;&#195;O</strong>.<br></p><h2><br>A mira&#231;&#227;o</h2><p>Eu estava participando de uma cerim&#244;nia, sentada em meu lugar, recebendo minhas mensagens, aprendendo sobre o mundo, quando, de repente, escuto o choro de uma crian&#231;a. Pior: parecia que eu ouvia o choro do meu filho.</p><p>O &#243;bvio aconteceu &#8212; meu sistema de alerta foi imediatamente ativado. Levanto a cabe&#231;a e come&#231;o a olhar ao redor, tentando reconhecer onde estou, buscando o olhar do meu filho ou de qualquer outra crian&#231;a. N&#227;o encontro ningu&#233;m. At&#233; porque&#8230; n&#227;o h&#225; crian&#231;as no local da cerim&#244;nia.</p><p>Lembrar que n&#227;o havia crian&#231;as ali piora um pouco a situa&#231;&#227;o. A preocupa&#231;&#227;o come&#231;a a tomar forma:</p><p>&#8220;Ser&#225; que meu filho est&#225; chorando?&#8221;<br>&#8220;Mas ele deveria estar dormindo a essa hora&#8230;&#8221;<br>&#8220;Ser&#225; que ouvir o choro dele significa que ele est&#225; passando por alguma dor emocional ou por algo que eu n&#227;o percebi?&#8221;</p><p>O que antes era apenas <strong>preocupa&#231;&#227;o</strong> se intensifica. Fico inquieta. J&#225; n&#227;o consigo ficar confort&#225;vel na minha posi&#231;&#227;o. N&#227;o consigo mais ter nenhuma mira&#231;&#227;o que n&#227;o seja pensar no meu filho. A ansiedade chega tomando conta, e agora meu corpo quer se mexer, levantar, andar, ir embora dali e pegar o carro para ir encontr&#225;-lo.</p><p>Sinto-me como uma novata querendo sair da cerim&#244;nia, mesmo sabendo que isso n&#227;o &#233; poss&#237;vel (risos).</p><p>Nessas horas, agrade&#231;o por j&#225; ter consagrado tantas vezes e por conhecer um pouco dos &#8220;truques&#8221; e das formas de comunica&#231;&#227;o da medicina. Respiro fundo e fa&#231;o a pergunta que eu deveria ter feito desde o come&#231;o:</p><p><strong>&#8212; O que eu tenho para aprender com essa situa&#231;&#227;o? Com ouvir meu filho chorar?</strong></p><p>E ent&#227;o, o aprendizado vem.<br></p><h2>O ENSINAMENTO</h2><div class="pullquote"><p>Quando vem um pensamento de preocupa&#231;&#227;o, voc&#234; primeiro &#8220;take note and acknowledge&#8221;*. Racionaliza por um segundo se aquele &#233; um pensamento real e se tem embasamento ou se &#233; apenas uma distra&#231;&#227;o. Se voc&#234; concluir que &#233; distra&#231;&#227;o - para te ajudar a sair da cadeia de repeti&#231;&#227;o de pensamentos compulsivos -,<strong> voc&#234; deve imediatamente focar na respira&#231;&#227;o</strong> que o c&#233;rebro vai entender que n&#227;o &#233; algo que o c&#233;rebro precisa trazer de volta. <br>Repete para cada preocupa&#231;&#227;o que vier. <br><strong>O excesso de preocupa&#231;&#227;o pesa e te paralisa.</strong></p></div><p></p><h2>O APRENDIZADO</h2><p></p><p>E foi exatamente isso que eu fiz.</p><p>Primeiro, nomeei a emo&#231;&#227;o de forma adequada:<br><strong>&#8220;Estou preocupada.&#8221;</strong><br>Ao nome&#225;-la, reconhe&#231;o a presen&#231;a dela no meu sistema nervoso.</p><p>Depois, racionalizei. Perguntei a mim mesma se havia motivos reais para aquela preocupa&#231;&#227;o:<br>&#8220;Existe algum risco real que meu filho esteja correndo?&#8221;</p><p>A resposta foi clara: <strong>n&#227;o</strong>.</p><p>Eu o havia deixado em um lugar seguro, com algu&#233;m de absoluta confian&#231;a &#8212; tanto minha quanto dele. Ele estava saud&#225;vel. N&#227;o havia nenhum peso ou situa&#231;&#227;o acontecendo na vida dele que eu n&#227;o tivesse percebido. Se houvesse, quando perguntei qual era o aprendizado, a resposta teria vindo ali.</p><p>O que minha consci&#234;ncia queria me ensinar era algo diferente:<br>aprender a <strong>perceber, regular e driblar melhor meus momentos de preocupa&#231;&#227;o</strong>.</p><p>Essa foi a forma que ela encontrou para me trazer a li&#231;&#227;o.</p><p>Quando o aprendizado chegou, consegui me acalmar. Em seguida, ouvi claramente:<br><strong>&#8220;Escreva.&#8221;</strong></p><p>Mesmo ainda tomada pela for&#231;a da experi&#234;ncia, peguei papel e caneta e registrei aquela mira&#231;&#227;o. Para que hoje ela pudesse servir como lembrete para mim &#8212; de como lidar melhor com minhas preocupa&#231;&#245;es &#8212; e tamb&#233;m para que essa &#8220;li&#231;&#227;o medicinal&#8221; pudesse chegar a quem mais precisar dele.</p><p>Sou grata por aprender.<br>E por poder compartilhar.</p><p>Com amor,<br><strong>Milla Dalbem</strong><br><br></p><div><hr></div><h4><strong>Notas</strong>:</h4><p><br>Estou muito feliz de poder escrever esse texto, pois h&#225; muitos anos a Ayahuasca vem pedindo que eu escreva todos os meus aprendizados, e sempre me explica &#8220;Ayahuasca &#233; para todos, mas nem todos s&#227;o para ayahuasca&#8221; - afinal, muitos n&#227;o t&#234;m acesso, ou n&#227;o conseguem tirar proveito da parte psicod&#233;lica do processo. Ent&#227;o ela me pede para que eu escreva esses aprendizados, deixando claro que eles n&#227;o s&#227;o meus, por&#233;m eles podem chegar ao mundo atrav&#233;s de mim. Embora ela me mostre que devo escrever um livro, ela tamb&#233;m me diz que esse conte&#250;do tem que chegar a todos, independentemente da capacidade financeira de cada um. <br><br>Portanto, tenho um acordo espiritual de postar tudo aqui, de forma GRATUITA, ou seja, nenhum post deste tema ser&#225; bloqueado para assinantes - <strong>POR&#201;M, a sua assinatura aqui vai me ajudar a ter os recursos necess&#225;rios para continuar a servi&#231;o</strong> - por mim, por n&#243;s e pela humanidade em fase de transi&#231;&#227;o. <br></p><div><hr></div><p><br>1. Take note - significa anotar, registrar<br>2. Acknowledge - reconhecer. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Espiritualidade Que Acontece no Quarto, na Mesa e no Silêncio]]></title><description><![CDATA[Um lembrete de que a verdadeira medicina come&#231;a dentro de casa]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-espiritualidade-que-acontece-no</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-espiritualidade-que-acontece-no</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Wed, 07 Jan 2026 14:40:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/72cd50bc-be62-4eef-9454-cb05d9dbf0a3_1920x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Um lembrete de que a verdadeira medicina come&#231;a dentro de casa</p><p></p><p>Ontem eu recebi um dos melhores presentes que algu&#233;m pode ganhar.</p><p>E, apesar de ter sido profundamente importante, por um momento me faltaram palavras para descrev&#234;-lo.</p><p></p><p>N&#227;o era nada material. E talvez muitas pessoas que lerem isso n&#227;o compreendam completamente o que vou contar. Ainda assim, &#233; uma mem&#243;ria que eu n&#227;o quero esquecer.</p><p></p><p>Est&#225;vamos deitados na cama &#8212; meu companheiro, meu filho e eu. Amontoados, como gostamos de ficar. Organiz&#225;vamos a ordem do banho porque era meu anivers&#225;rio e ir&#237;amos jantar em um dos meus restaurantes favoritos, o <strong>Nu Kitchen</strong>.</p><p>De repente, meu companheiro disse:</p><p></p><blockquote><p>&#8220;Agora eu gosto desse neg&#243;cio de fam&#237;lia.</p><p>Foi voc&#234; quem me ensinou a import&#226;ncia disso &#8212; e o quanto isso &#233; bom.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Na hora, n&#227;o dei tanta import&#226;ncia. Foi s&#243; uma frase.</p><p>Mas ela <em>landed</em> algumas horas depois, de um jeito &#250;nico. E vou tentar explicar o porqu&#234;.</p><p></p><p>Venho me dedicando ao trabalho com as medicinas da floresta h&#225; quase seis anos.</p><p>&#201; uma dedica&#231;&#227;o que vai muito al&#233;m das cerim&#244;nias. &#201; trabalho, estudo, integra&#231;&#227;o, presen&#231;a.</p><p>E eu amo isso profundamente.</p><p></p><p>Eu me entrego tanto, que muitas &#225;reas da minha vida acabam ficando em segundo &#8212; &#224;s vezes em terceiro plano.</p><p></p><p>Mas, nos &#250;ltimos dois anos, o chamado para olhar para a minha fam&#237;lia veio com for&#231;a.</p><p></p><p>Primeiro, comecei a ouvir nas minhas jornadas:</p><p></p><blockquote><p><strong>&#8220;N&#227;o adianta ajudar 300 pessoas em um ano se voc&#234; n&#227;o cuidar da sua casa primeiro.&#8221;</strong></p></blockquote><p></p><p>Naquele momento, isso dizia respeito principalmente ao meu filho.</p><p>N&#227;o adianta querer cuidar das feridas do mundo, da fam&#237;lia dos outros, das dores que est&#227;o fora, se dentro da minha pr&#243;pria casa eu falho por n&#227;o estar presente o suficiente.</p><p></p><p>Naquela &#233;poca, meu companheiro ainda n&#227;o fazia parte da minha vida.</p><p>Mas, em 2025, ele j&#225; estava ali &#8212; se tornando parte da fam&#237;lia que Benjamin e eu j&#225; v&#237;nhamos construindo.</p><p></p><p>E ent&#227;o eu precisei ouvir algo ainda mais dif&#237;cil da medicina:</p><p></p><blockquote><p><strong>&#8220;PARE.&#8221;</strong></p></blockquote><p></p><p>Foi um choque.</p><p>Com tanto amor e dedica&#231;&#227;o colocados no meu trabalho, como eu poderia estar sendo convidada a me retirar?</p><p></p><p>Eu n&#227;o entendi.</p><p>Mas confiei.</p><p></p><p>Eu sempre digo nos grupos de integra&#231;&#227;o:</p><p>existem vis&#245;es que n&#227;o v&#234;m acompanhadas de respostas imediatas.</p><p>Mais pe&#231;as ainda precisam entrar no tabuleiro para que a imagem se revele por completo.</p><p></p><p>Confiei &#8212; mesmo doendo.</p><p>Mesmo chorando por muitas noites sem entender.</p><p>Eu sabia, no fundo, que aquilo era o melhor.</p><p></p><p>O ano que passou, vivido em um ritmo mais lento, foi essencial.</p><p>Porque s&#243; assim eu pude focar <strong>verdadeiramente</strong> na estrutura familiar que eu desejava criar.</p><p></p><p>Juntos, criamos h&#225;bitos.</p><p>Rotinas.</p><p>Aprimoramos nossa comunica&#231;&#227;o.</p><p>Fortalecemos o v&#237;nculo.</p><p></p><p>E ontem, ao ouvir aquela frase simples, eu finalmente enxerguei <em>the big picture</em> &#8212; algo que antes ainda n&#227;o estava vis&#237;vel para mim.</p><p></p><p>&#192;s vezes, a vida precisa nos desviar do caminho inicial para que possamos chegar &#224; terra prometida.</p><p>E como n&#227;o conseguimos enxergar grandes dist&#226;ncias, precisamos confiar em quem nos conduz.</p><p></p><p>Hoje eu me sinto fortalecida.</p><p><strong>Porque aprendi o que realmente importa</strong>.</p><p></p><p>O trabalho come&#231;a sempre em casa.</p><p></p><p>Como diz o princ&#237;pio da correspond&#234;ncia, descrito em <a href="chatgpt://generic-entity?number=0">O Caibalion</a>:</p><p></p><blockquote><p>&#8220;Assim como &#233; em cima, &#233; embaixo.</p><p>Assim como &#233; dentro, &#233; fora.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Se eu quiser mudar o mundo, come&#231;o comigo.</p><p>Depois, com a minha casa.</p><p>S&#243; ent&#227;o o meu exemplo pode, de forma silenciosa, inspirar algu&#233;m.</p><p></p><p>J&#225; me iludi achando que poderia ajudar os outros apenas dizendo o que fazer &#8212;</p><p>mas isso fica para uma pr&#243;xima conversa &#128579;</p><p></p><p>Antes de voc&#234; ir, deixo um convite:</p><p></p><p>Pergunte a si mesmo, e responda com <strong>bruta sinceridade:</strong></p><p>a sua &#8220;casa&#8221; est&#225; organizada&#8230;</p><p>ou voc&#234; a abandonou na bagun&#231;a?</p><p></p><p>Lembre-se: espiritualidade n&#227;o se pratica apenas na cerim&#244;nia, no ritual ou no rap&#233; matinal.</p><p>Ela se vive todos os dias &#8212; na rotina, nas rela&#231;&#245;es, na forma como cuidamos do que &#233; nosso.</p><p></p><p>&#128073;&#127996; Se fizer sentido, compartilhe este texto com algu&#233;m que tamb&#233;m esteja aprendendo a voltar para casa.</p><p></p><p>&#129782;</p><p>Com amor </p><p>Milla Dalbem</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu Escolho Escrever]]></title><description><![CDATA[Tem muitas coisas que eu sei sobre mim, mas uma delas eu quero compartilhar aqui hoje porque &#233; meu anivers&#225;rio &#10024;]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/comeco-ou-recomeco</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/comeco-ou-recomeco</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 06 Jan 2026 13:39:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7898540b-364d-4015-bb36-0d4f3ccd6d18_4608x3072.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tem muitas coisas que eu sei sobre mim, mas uma delas eu quero compartilhar aqui hoje porque &#233; meu anivers&#225;rio  &#10024;</p><p></p><p><strong>EU AMO ESCREVER</strong> e essa muitas vezes foi a minha salva&#231;&#227;o, algumas outras vezes a escrita foi minha &#250;nica amiga capaz de &#8220;hold space&#8221; para as minhas emo&#231;&#245;es e o &#250;nico lugar seguro aonde eu podia expressar aquilo que havia de bom e de ruim em mim. </p><p>Acredito que como muitos por a&#237; no mundo,  eu tamb&#233;m temi (e as vezes ainda temo) meu pr&#243;prio dom.<strong> A escrita me permite ser aut&#234;ntica, verdadeira</strong> e as vezes a nossa verdade incomoda. </p><p>Quando adolescente, eu tinha muita raiva da vida, muita dor no peito, e diversas vezes usei <strong>a escrita como terapia</strong>. Eu colocava m&#250;sica alta nos ouvidos para silenciar os pensamentos e deixava que as palavras apenas flu&#237;ssem atrav&#233;s do teclado de um computador que tinha acesso &#224; internet discada. Ap&#243;s por para fora a raiva e a frustra&#231;&#227;o, eu lia tudo aquilo e apagava. Um dia eu fui &#8220;pega&#8221; escrevendo minhas dores e fui &#8220;punida&#8221;. Criei ent&#227;o o medo. </p><p>No come&#231;o da vida adulta, usava minha escrita como <strong>uma express&#227;o art&#237;stica.</strong> Comecei um blog, que tinha muitas visualiza&#231;&#245;es di&#225;rias. E eu amava dedicar tempo ali. Mas mais uma vez tive minhas asas cortadas. Naquela &#233;poca eu morava no Canad&#225; e o governo come&#231;ou a fazer publicidade dizendo sobre os &#8220;riscos&#8221; da exposi&#231;&#227;o na internet. Deletei meu blog. </p><p>Quando meu filho nasceu, senti vontade de voltar a escrever, mas estava bloqueada.</p><p>Quando comecei a consagrar ayahuasca, um dia pedi para saber qual era meu dom &#8220;a escrita&#8221; foi a resposta, mas para eu desenvolver meu dom, eu precisava largar meu v&#237;cio no &#225;lcool e nas drogas. </p><p>Eu larguei. Mas n&#227;o voltei a escrever. </p><p>J&#225; quis muitas vezes voltar a escrever, seja para liberar espa&#231;o no peito ou fosse para expressar minha criatividade e as vezes, coisas incr&#237;veis passam por mim. Algumas eu compartilho. Outras tantas n&#227;o deixaram de habitar apenas meu bloco de notas. </p><p>Hoje eu completo 34 anos. Nas &#250;ltimas semanas me perguntei, quanto mais tempo ser&#225; que ainda tenho em vida? Ser&#225; que terei tempo de ensinar meu filho todas as coisas que eu adoraria ensina-lo? Meus pais biol&#243;gicos se foram antes mesmo que eu pudesse aprender algo sobre a vida com eles. E diante da imperman&#234;ncia da vida, decidi que hoje seria o retorno de um h&#225;bito que tanto me faz bem - escrever. </p><p>O mundo est&#225; chato. A internet est&#225; cheia de v&#237;deos que n&#227;o s&#227;o reais. Pessoas vazias espalhando ideias separatistas, &#243;dio sendo distribu&#237;do por a&#237; e eu aqui escondendo para mim, as milhares de formas que a espiritualidade me ensina sobre como driblar minha alma de tudo isso. Me pergunto &#8220;ser&#225; que &#233; justo que meu medo me bloqueie de fazer o que eu mais amo?&#8221; </p><p>Ent&#227;o, no meu banho de ontem eu decidi que n&#227;o vou mais deixar tudo isso escondido, nos pap&#233;is que ningu&#233;m vai ler e nem que se percam em meu peito - &#233; como vida que se esvai. </p><p>Outra coisa que sei sobre mim &#233; que acordos p&#250;blicos, me ajudam a ser consistente. Ent&#227;o, vou postar, todos os dias, por 90 dias, para que se torne um h&#225;bito. </p><p>Que a escrita que flui atrav&#233;s de mim, chegue at&#233; quem tem que chegar, ou que sirva de di&#225;rio, se um dia eu morrer, meu filho poder vir aqui e conhecer peda&#231;os de mim que ele n&#227;o teve oportunidade de presenciar. </p><p></p><p>&#8230;&#8230;</p><p></p><p>Se fizer sentido para voc&#234; acompanhar minhas loucuras, te recebo de cora&#231;&#227;o aberto e voc&#234; pode se inscrever para n&#227;o perder nada. Se for muita coisa para voc&#234;, voc&#234; pode visita essa p&#225;gina quando sua curiosidade falar mais alto - estarei deixando de alimentar minhas outras redes sociais, para focar nos caminhos que me aproximam de quem quero me tornar! </p><p></p><p>&#129782;</p><p>Com amor </p><p>Milla Dalbem</p><p></p><p>* hold space - &#8220;segurar o espa&#231;o&#8221;</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>