<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Milla Dalbem]]></title><description><![CDATA[Um espaço para mulheres que desejam se reorganizar por dentro e viver com mais verdade.]]></description><link>https://www.milladalbem.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Pbnu!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F061a94d9-ccf2-464e-9667-a89bed580d0f_1080x1080.png</url><title>Milla Dalbem</title><link>https://www.milladalbem.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 28 May 2026 16:49:38 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.milladalbem.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Milla Dalbem]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Milla Dalbem]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Milla Dalbem]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[miladalbem@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Milla Dalbem]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[O mais perigoso do piloto automático é que ele parece funcional]]></title><description><![CDATA[Uma mulher pode continuar funcionando por anos sem perceber que j&#225; n&#227;o consegue mais se sentir dentro da pr&#243;pria vida.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-mais-perigoso-do-piloto-automatico</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-mais-perigoso-do-piloto-automatico</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 26 May 2026 11:07:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b623fdbb-6fa3-4bbe-be5d-3e471ca8b821_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia ela acordou.<br>N&#227;o como todos os dias.</p><p>Parecia n&#227;o ter vontade de falar.<br>Se sentia mais cansada que o normal.</p><p>Seu companheiro acordou tamb&#233;m e, como fazia todas as manh&#227;s, a abra&#231;ou.</p><p>E por mais que ela tenha abra&#231;ado de volta, <strong>ela n&#227;o estava presente naquele abra&#231;o.</strong></p><p>E ele sentiu.</p><p>&#8220;Mal acordei&#8230; o que ser&#225; que fiz de errado dessa vez?&#8221;</p><p>E como n&#243;s ouvimos tamb&#233;m aquilo que n&#227;o &#233; dito, ela se defendeu:</p><p>&#8212; &#8220;N&#227;o acordei bem hoje.&#8221;</p><p>A verdade &#233; que ela n&#227;o estava bem.<br>E n&#227;o era de hoje.</p><p>No caf&#233; da manh&#227;, a desconex&#227;o da manh&#227; virou atrito.</p><p>N&#227;o que existisse, de fato, algo grave acontecendo.<br>Mas o elefante branco ocupava quase toda a cozinha.</p><p>As coisas fora do lugar come&#231;aram a gerar uma agonia silenciosa nela.<br>Os suspiros de frustra&#231;&#227;o enquanto preparava os ovos.<br>O olhar baixo.<br>A irrita&#231;&#227;o escondida na forma como fechava as gavetas.</p><p>E ele, percebendo aquela mudan&#231;a de energia sem entender exatamente o motivo, entrou em estado de alerta.</p><p><strong>N&#227;o havia nada necessariamente errado na rela&#231;&#227;o.</strong><br>Mas parecia haver.</p><p>Ela, por n&#227;o conseguir nomear o que estava sentindo.<br>Ele, por achar que precisava se defender de algo que nem tinha feito.</p><p>E assim come&#231;aram o dia.</p><p>O dia se arrastou.</p><p>Ela se sentia como se os dementadores de Azkaban tivessem puxado sua alma para fora do corpo.</p><p>E ele overthinking, tentando entender o que estava acontecendo.</p><p>Enquanto trabalhava, ela n&#227;o pensava em nada.</p><p>Apesar de sentir que sua alma n&#227;o estava ali, cumpria todos os prazos.<br>Era cordial com os colegas.<br>Estava bem vestida.<br>Respondia e-mails.<br>Participava das reuni&#245;es.</p><p>E &#224;s vezes at&#233; esquecia que havia algo estranho dentro dela.</p><p>Mas contava os minutos para o dia acabar.</p><p>Para chegar em casa, tomar banho e assistir alguma coisa.<br>Porque pelo menos diante da nova temporada da sua s&#233;rie favorita, ela n&#227;o precisava encarar o vazio silencioso que vinha ocupando o peito h&#225; meses.</p><p>Mas que vazio era esse?</p><p>Ela chega em casa.</p><p>E a realidade n&#227;o &#233; aquela fantasia de descanso que sua mente criou durante o expediente.</p><p>Ainda existe roupa para lavar.<br>Comida para fazer.<br>Conta de luz para pagar.<br>Mensagens para responder.<br>A rotina inteira esperando por ela.</p><p>S&#227;o tantas coisas para fazer que ela decide sentar &#8220;s&#243; 10 minutinhos&#8221; no sof&#225; antes de come&#231;ar.</p><p>E quando percebe, <strong>uma hora e meia se passou olhando o Instagram.</strong></p><p>A roupa vai ficar para amanh&#227;.<br>Ou talvez para a pr&#243;xima semana mesmo.</p><p>Ficou tarde demais.</p><p>Ela est&#225; cansada demais.</p><p>Ent&#227;o prefere pedir comida ao inv&#233;s de cozinhar.</p><p>Nos &#250;ltimos meses, ganhou peso.</p><p>Mas acredita que talvez seja a tireoide.<br>Ou a idade.<br>Ou os horm&#244;nios.</p><p>&#8220;Talvez seja normal&#8230;&#8221;</p><p>E talvez seja exatamente isso que mais assusta.</p><p>Porque aos poucos ela foi aprendendo a normalizar o pr&#243;prio desaparecimento.</p><p>&#192;s vezes pensa:</p><p><strong>&#8220;Onde foi que eu me perdi?&#8221;</strong></p><p>Mas para quem nunca aprendeu a nomear emo&#231;&#245;es, o piloto autom&#225;tico entra em a&#231;&#227;o rapidamente.</p><p>Afinal, <strong>n&#227;o saber tamb&#233;m &#233; uma forma de prote&#231;&#227;o.</strong></p><p>Ou pelo menos parece ser.</p><p>&#8212;</p><p>Essa &#233; a hist&#243;ria de uma paciente.</p><p>Mas tamb&#233;m j&#225; foi a minha.</p><p>E talvez, em algum n&#237;vel, seja a sua tamb&#233;m.</p><p>Porque &#224;s vezes a gente n&#227;o est&#225; triste o suficiente para pedir ajuda.</p><p>S&#243; cansada o suficiente para desaparecer de si mesma aos poucos.</p><p>E o mais perigoso do piloto autom&#225;tico &#233; que ele parece funcional.</p><p>Voc&#234; continua trabalhando.<br>Continua respondendo mensagens.<br>Continua pagando boletos.<br>Continua existindo.</p><p>Mas j&#225; n&#227;o consegue mais se sentir dentro da pr&#243;pria vida.</p><p>Eu precisei aprender sozinha a entender o que meu corpo estava tentando me dizer antes que o vazio virasse identidade.</p><p>E talvez esse seja o problema de muitas mulheres adultas:</p><p><strong>elas s&#243; percebem que desapareceram de si mesmas quando j&#225; n&#227;o conseguem mais sentir prazer na pr&#243;pria rotina.</strong></p><p>Por isso, se voc&#234; se reconheceu em alguma parte dessa narrativa, eu gostaria de te presentear com 30 minutos de uma conversa particular comigo.</p><p>Sem press&#227;o.<br>Sem performance.<br>Sem precisar sustentar a imagem de quem est&#225; dando conta de tudo.</p><p>S&#243; um espa&#231;o seguro para talvez come&#231;ar a entender:</p><p><strong>onde foi que voc&#234; se deixou para tr&#225;s.</strong></p><p>&#8212;</p><p>Se esse texto encontrou uma parte sua que anda silenciosamente cansada, voc&#234; pode se inscrever no Substack para acompanhar os pr&#243;ximos textos dessa s&#233;rie.</p><p>Talvez seja hora de voltar para si mesma antes de desaparecer de vez da pr&#243;pria vida.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu me despi de tudo — e voltei para onde sempre soube que devia estar]]></title><description><![CDATA[Carta de abertura &#183; Milla Dalbem]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/eu-me-despi-de-tudo-e-voltei-para</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/eu-me-despi-de-tudo-e-voltei-para</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 21 May 2026 11:07:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8731efcc-bc55-4e17-bddb-d224683dd233_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Aos 34 anos, pela primeira vez na minha vida, eu tenho paz.</p><p>N&#227;o a paz que aparece depois de uma sess&#227;o de medita&#231;&#227;o ou de um fim de semana de retiro. N&#227;o a paz que dura enquanto o ambiente est&#225; calmo.</p><p>A paz da rotina. Do corpo. Do lar. Das decis&#245;es.</p><p>E cheguei at&#233; aqui de um jeito que ningu&#233;m me contou que era poss&#237;vel: voltando.</p><p>Voltando para mim. Para o trabalho que j&#225; era meu h&#225; mais de dez anos. Para o que eu sempre soube fazer &#8212; antes de me perder na busca por algo maior.</p><div><hr></div><p>Constru&#237; a minha vida do zero &#8212; sem rede de seguran&#231;a, sem ningu&#233;m para segurar a ponta por mim.</p><p>Fui m&#227;e solo por anos. Aprendi a n&#227;o esperar ser salva. Aprendi a escolher &#8212; e a pagar o pre&#231;o das escolhas que eu fiz. Aprendi, na carne, o que &#233; se recusar a viver de migalhas &#8212; em relacionamentos, em dinheiro, em sonhos.</p><p>E quando finalmente encontrei um amor de verdade, entendi a diferen&#231;a entre quem chega inteira para uma rela&#231;&#227;o e quem chega precisando ser completada.</p><p>Tudo isso me fez terapeuta antes mesmo de eu me chamar assim.</p><div><hr></div><p>Por mais de dez anos, fiz esse trabalho. Acompanhei mulheres em processos de mudan&#231;a real &#8212; n&#227;o s&#243; de compreens&#227;o, mas de vida.</p><p>At&#233; que me perdi.</p><p>N&#227;o de uma vez. Foi gradual &#8212; como toda perda que acontece quando a gente est&#225; ocupada demais olhando para outro lugar.</p><p>Me dediquei profundamente &#224; espiritualidade. Liderei uma igreja. Passei por mais de 700 pessoas em sess&#245;es com Ayahuasca. Canalizei, compreendi, expandi.</p><p>E enquanto isso, fui deixando meu filho, minha estabilidade e o meu pr&#243;prio trabalho de lado. Trabalhava cada vez menos horas. Via minha condi&#231;&#227;o financeira piorar. E voltava para o mesmo lugar pedindo uma solu&#231;&#227;o que nunca chegava da forma que eu esperava.</p><p>Aprendi da forma mais concreta poss&#237;vel:</p><p><strong>Consci&#234;ncia sem a&#231;&#227;o n&#227;o muda nada.</strong></p><p>N&#227;o importa quantas sess&#245;es, quantos insights, quanta expans&#227;o &#8212; se isso n&#227;o vira vida, decis&#227;o e movimento, n&#227;o &#233; transforma&#231;&#227;o. &#201; fuga com roupagem bonita.</p><div><hr></div><p>Ent&#227;o eu parei.</p><p>Me dediquei ao simples. Ao pequeno. Ao que estava aqui &#8212; no corpo, na rotina, nos relacionamentos, nas escolhas do dia a dia.</p><p>N&#227;o porque abandonei o que acredito. Mas porque entendi que eu j&#225; sou a pr&#243;pria espiritualidade &#8212; e o que eu precisava era aprender a viver aqui, na mat&#233;ria, com presen&#231;a e dire&#231;&#227;o.</p><p>E voltei para o meu trabalho.</p><p>Com dez anos a mais de vida vivida. Com a hist&#243;ria de quem saiu do pa&#237;s sem rede, criou filho sozinha, foi engolida pelas pr&#243;prias ilus&#245;es e saiu de l&#225; de p&#233;. Com a firmeza de quem sabe exatamente o que &#233; chegar no limite &#8212; porque j&#225; esteve l&#225;.</p><div><hr></div><p>&#201; sobre isso que vou escrever aqui.</p><p>N&#227;o vou te vender processos infinitos de autoconhecimento. N&#227;o vou romantizar a dor. N&#227;o vou criar depend&#234;ncia de mim.</p><p>Vou falar de consci&#234;ncia que vira vida. De regula&#231;&#227;o emocional que funciona na segunda-feira de manh&#227;, n&#227;o s&#243; no retiro. De relacionamentos, de decis&#245;es, de como sair do modo sobreviv&#234;ncia e construir algo que faz sentido de verdade.</p><p>Com o colo de quem sabe o que &#233; n&#227;o ter para quem correr.</p><p>E com a clareza de quem aprendeu, na pr&#225;tica, que sustentar a pr&#243;pria vida &#233; o ato mais espiritual que existe.</p><div><hr></div><p>Se voc&#234; chegou at&#233; aqui, provavelmente reconhece algo nessas palavras.</p><p>Bem-vinda.</p><p><em>&#8212; Milla Dalbem<br><br></em></p><p><em><br></em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A bênção da falta de opção]]></title><description><![CDATA[Quando n&#227;o h&#225; escolha, voc&#234; descobre quem voc&#234; &#233; &#8212; e onde decide colocar sua aten&#231;&#227;o.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Sun, 26 Apr 2026 23:13:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/eb013152-7e38-4623-97a4-9f9ffff29eaa_1774x887.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses me perguntaram:<br>&#8220;Mas como voc&#234; deu conta?&#8221;</p><p>Por um segundo, bem breve, eu me perguntei tamb&#233;m:<br>&#8220;Como &#233; que eu dou conta?&#8221;</p><p>A resposta saiu da minha boca com uma leve batida do ombro na orelha, sem que eu pudesse sequer pensar:<br>&#8220;Falta de op&#231;&#227;o!&#8221;</p><p>&#201; simples assim. &#192;s vezes, a falta de op&#231;&#227;o se torna uma b&#234;n&#231;&#227;o.</p><p>Essa conversa aconteceu entre eu e uma prima. Ela acabava de se tornar m&#227;e pela segunda vez e, apesar da loucura de ter duas filhas com menos de um ano de diferen&#231;a entre elas, possui uma grande rede de apoio. E me perguntava como eu dava &#8212; ou havia dado &#8212; conta de tudo, sendo m&#227;e solo e imigrante.</p><p>Confesso que, quando ela me perguntou como eu dava conta, fiquei intrigada com a pergunta. Afinal, eu nunca havia pensado sobre isso.</p><p>A maternidade nunca foi pesada para mim. E n&#227;o porque n&#227;o tenha sido, de fato, cheia de desafios, algumas dores e muita abdica&#231;&#227;o dos meus sonhos e planos. Mas talvez, pela falta de op&#231;&#227;o, eu nunca me permiti parar para sentir o peso da minha realidade. At&#233; aquele momento.</p><p>Me lembro que, quando meu filho tinha um ano e meio, nos mudamos para a Fl&#243;rida. Decidi morar a 10 minutos da praia. Sa&#237;mos do gelo de Massachusetts para o calor escaldante de Sarasota, no lado oeste da Fl&#243;rida. E outros tr&#234;s roommates* mudaram com a gente.</p><p>Duas mulheres entraram em depress&#227;o nos primeiros meses da mudan&#231;a. Lembro que as duas ficavam quase o dia todo no quarto, de janela fechada, e uma pouca vontade de viver habitava nelas.</p><p>Eu tamb&#233;m senti isso. N&#227;o ter nenhum rosto conhecido para visitar, o mercado que n&#227;o tem as coisas que voc&#234; quer comprar, os caminhos que voc&#234; ainda n&#227;o conhece, n&#227;o saber o que fazer depois, nem para onde ir&#8230; tudo isso pode ser, de fato, overwhelming para o nosso c&#233;rebro, que detesta gastar energia e prefere o conforto do que j&#225; &#233; conhecido.</p><p>Por&#233;m, eu n&#227;o tinha op&#231;&#227;o.</p><p>Se eu ficasse apenas um dia em casa, me rendesse ao sono da depress&#227;o &#8212; aquele que s&#243; quem j&#225; perdeu o brilho conhece &#8212;, eu n&#227;o compraria fraldas no dia seguinte e n&#227;o alimentaria meu filho nos dois dias seguintes.</p><p>Ent&#227;o, mesmo me arrastando para levantar, eu sa&#237;a da cama. Eu abria a janela. Talvez eu n&#227;o limpasse o quarto como quando estou bem, mas eu sa&#237;a para trabalhar. Talvez com mais remela no olho e o cabelo sem pentear, mas eu sa&#237;a. Havia um motivo maior do que eu mesma: a falta de op&#231;&#227;o.</p><p>Eu tamb&#233;m n&#227;o pude respeitar meu puerp&#233;rio, nem o resguardo da minha ces&#225;rea. Eu precisava trabalhar para garantir o teto que meu filho teria ap&#243;s os 24 dias de UTI neonatal. Ent&#227;o, o baby blues n&#227;o conseguiu correr t&#227;o r&#225;pido quanto as minhas necessidades.</p><p>E n&#227;o falando apenas de maternidade &#8212; nem somente da vida de imigrante, que tantos reclamam pelas horas excessivas de trabalho ou pelas poucas oportunidades &#8212;, eu decidi que a vida n&#227;o seria pesada para mim.</p><p>Aprendi com a falta de op&#231;&#227;o que n&#227;o &#233; ela que torna as coisas mais leves, mas sim onde colocamos o nosso foco diante dela: vamos sucumbir ou vamos dar o nosso melhor, mesmo que as condi&#231;&#245;es sejam insuficientes e os recursos limitados?</p><p>Onde voc&#234; escolhe focar a sua aten&#231;&#227;o quando est&#225; diante de um problema? Ou melhor: qual vers&#227;o de si mesma voc&#234; est&#225; criando diante da adversidade?</p><p>Se voc&#234; escolhe reclamar, voc&#234; se torna v&#237;tima &#8212; e v&#237;tima nunca vence batalhas.<br>Se voc&#234; escolhe virar uma guerreira, talvez at&#233; ven&#231;a algumas batalhas, mas a luta se torna infinita, e rapidamente voc&#234; se v&#234; drenada.</p><p>Agora, quando voc&#234; escolhe ser resist&#234;ncia, voc&#234; n&#227;o precisa nem se esfor&#231;ar. Voc&#234; s&#243; precisa comparecer. Estar presente para si mesma e para o seu pr&#243;prio dia.</p><p>A paz que tanto buscamos &#233; um estado de esp&#237;rito. &#201; consci&#234;ncia. &#201; presen&#231;a. &#201; unicidade com o fluxo da vida.</p><p>Os problemas s&#227;o inesgot&#225;veis. Quando voc&#234; resolve um, outro surge em seguida. Essa &#233; uma lei da vida &#8212; &#233; assim que nossas virtudes e sombras s&#227;o colocadas &#224; prova.</p><p>O segredo &#233; aprender a viver entre eles.<br>Ou melhor: durante eles.</p><p></p><p>Com amor<br>Milla Dalbem<br>26/04/2026</p><div><hr></div><p>Se esse texto falou com voc&#234; de alguma forma, deixa o seu like para eu saber que ele fez a diferen&#231;a no seu dia. Se voc&#234; j&#225; passou por algo parecido, deixe um coment&#225;rio contando sua hist&#243;ria. E se voc&#234; achar que faz sentido, compartilhe com algu&#233;m, pois meu sonho &#233; poder viver da escrita um dia no futuro pr&#243;ximo. </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.milladalbem.com/p/a-bencao-da-falta-de-opcao?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share"><span>Share</span></a></p><div><hr></div><p><br><br>*Roommates s&#227;o as pessoas que dividem casa com voc&#234;, dividem o aluguel.<br>*Overwhelming - algo que te drena, te deixa muito cansado. </p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>*</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Estante Terapeuta: o dia em que percebi que estava me escondendo de mim mesma]]></title><description><![CDATA[Um texto sobre identidade, coragem e a dif&#237;cil arte de integrar quem somos em todos os espa&#231;os da vida.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-estante-terapeuta-o-dia-em-que</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 21 Apr 2026 19:57:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6d3ec389-915f-46ef-b152-7110ea5edb5c_1774x887.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>N&#227;o foi na terapia.<br>N&#227;o foi em uma cerim&#244;nia.<br>Foi montando uma estante.</p><p>E, mesmo assim, minha alma falou mais alto do que em muitos rituais. O que parecia uma tarefa simples se transformou em um espelho.</p><div><hr></div><p>N&#227;o &#233; s&#243; na psican&#225;lise e no Daime que eu encontro respostas &#8212; ou melhor, perguntas.</p><p>Era uma simples estante. E eu estava montando-a pela terceira vez na minha vida; afinal, era a segunda mudan&#231;a em que ela me acompanhava.</p><p>&#201; surpreendente como, com presen&#231;a, precisamos de pouco para mergulhar em n&#243;s mesmos.</p><p>Eu havia planejado que essa estante ficaria na sala. E, enquanto a montava, senti como se ela me pedisse para ficar no meu quarto, em um cantinho onde se tornaria o meu background para as minhas infinitas liga&#231;&#245;es por Zoom.</p><p>Ap&#243;s montada, veio o convite para colocar meus livros em suas prateleiras. Por um segundo, surgiu a d&#250;vida da parte racional que habita em mim:<br>&#8220;Ser&#225; que essa estante n&#227;o vai me expor demais?&#8221;</p><p>Enquanto eu a posicionava de frente para o computador, me senti vulner&#225;vel e exposta. Meus livros falam demais sobre quem sou.</p><p>Alguns livros eu trouxe comigo &#8212; sim, dos meus poucos apegos, os livros sempre foram um deles.</p><p>Comecei pela prateleira de baixo, com os livros mais pesados &#8212; livros que viajaram do Brasil para os Estados Unidos, alguns anos ap&#243;s a minha mudan&#231;a: medicina veterin&#225;ria, acupuntura, auriculoterapia, medicina floral. Parte do meu passado &#8212; um desejo para o futuro. Uma parte minha que foi important&#237;ssima para eu come&#231;ar a compreender quem sou.</p><p>Depois, planejei uma das prateleiras mais altas &#8212; a que ficaria vis&#237;vel aos meus clientes nas liga&#231;&#245;es: alguns livros sobre mentalidade e meu &#250;ltimo certificado na companhia de seguros.</p><p>Decidi que, na prateleira mais alta, ficariam meus bowls tibetanos e alguns tuning forks (instrumentos de sound healing que uso nas medita&#231;&#245;es). At&#233; a&#237;, tudo bem &#8212; afinal, uma agente de seguros pode ter um lado mais sensitivo. Digamos que isso pode at&#233; ser visto como um &#8220;diferencial&#8221;.</p><p>Minha B&#237;blia ficou na primeira prateleira, junto com os instrumentos. Afinal, Deus vem sempre em primeiro lugar. E depois vem o som.</p><p>Chegou a hora de arrumar os livros sobre o sagrado feminino, meus estudos sobre Maria Madalena, a psique da mulher, junto com meus dois exemplares de <em>Mulheres que Correm com os Lobos</em> &#8212; sim, n&#227;o contente com um exemplar, precisei ter uma vers&#227;o em portugu&#234;s e uma em ingl&#234;s.</p><p>Nesse momento, me peguei querendo escond&#234;-los. Me questionei sobre o lugar deles nessa estante que ficaria exposta atr&#225;s de mim nas minhas liga&#231;&#245;es.</p><p>Uma parte do meu trabalho hoje &#233; como agente de seguros de vida, fazendo parte do mundo corporativo. E senti todo o peso que esse universo coloca sobre nossos ombros: passar credibilidade, estabilidade, compet&#234;ncia.</p><p>E ali, naquela prateleira, estava minha busca mais interna, mais sutil, mais profunda. O meu lugar no mundo como mulher, como menina, como esposa, como m&#227;e.</p><p>Havia tamb&#233;m uma exposi&#231;&#227;o da minha espiritualidade &#8212; a que acredita em uma face feminina da cria&#231;&#227;o; a que gosta de rituais; a que acende um palo santo para afastar energias negativas e medita para n&#227;o surtar no meio do caos que &#233; a vida.</p><p>Minha presen&#231;a naquele momento me fez perceber quantas vezes eu achei necess&#225;rio esconder uma vers&#227;o minha para ser aceita em determinado n&#250;cleo. Me fez perceber o quanto tenho dificuldade em reconhecer quem sou &#8212; porque eu mesma sinto dificuldade em integrar todas essas vers&#245;es de mim.</p><p>Como se, para ser bem-sucedida no mundo corporativo, eu tivesse que abafar a facilitadora de rodas de cura. E como se, para servir &#224; espiritualidade, eu tivesse que negar minha busca material.</p><p>Em uma simples montagem de uma simples estante, minha alma berrou e me mostrou por que &#233; t&#227;o dif&#237;cil dividir minha energia entre minhas vers&#245;es: talvez n&#227;o seja a falta de organiza&#231;&#227;o do meu tempo, e sim a falta de aceita&#231;&#227;o das minhas pr&#243;prias vers&#245;es.</p><p>E quantas vezes, em quantos grupos sociais e momentos do nosso dia a dia, n&#227;o nos escondemos de n&#243;s mesmos por falta de aceita&#231;&#227;o?</p><p>Por conta disso, vivemos como peda&#231;os de um vidro quebrado. Falta o encaixe.</p><p>Talvez eu n&#227;o seja um vaso de cristal. Entendo, neste momento, que sou mesmo um grande mosaico &#8212; ainda incompleto. Minha estante ainda tinha espa&#231;os vazios, que entendi serem ferramentas e vers&#245;es que ainda est&#227;o por vir.</p><p>Fui tomar meu banho e me perguntei:<br>Como ser&#225; a vida se eu n&#227;o tentar mais esconder nenhuma vers&#227;o de mim?</p><p>E, mesmo sem ter a resposta ainda, me abro para descobrir.</p><div><hr></div><p><strong>E voc&#234;&#8230;</strong></p><p>Em quais espa&#231;os da sua vida voc&#234; ainda sente que precisa esconder partes de si para ser aceito?</p><p>Qual vers&#227;o sua voc&#234; tem silenciado?</p><div><hr></div><p>Se esse texto falou com voc&#234;, compartilhe com algu&#233;m que tamb&#233;m est&#225; tentando se encaixar&#8230; quando, talvez, o caminho seja se integrar.</p><p>E se quiser caminhar mais fundo comigo, voc&#234; pode se inscrever aqui.</p><p><strong>Estou aprendendo a n&#227;o me dividir mais para caber.<br>Estou aprendendo a me integrar para existir.<br><br></strong>Com amor, <br>Milla Dalbem</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Heroi sem capa, mas de farda. ]]></title><description><![CDATA[22 anos comemorando seu aniversario no astral.]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/heroi-sem-capa-mas-de-farda</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/heroi-sem-capa-mas-de-farda</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 22 Jan 2026 15:09:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ele tinha 44 anos e uma vida cheia de sonhos. </p><p>Na verdade ele tinha 43 anos e nunca chegou a comemorar seus 44, pois faltando 5 dias para seu anivers&#225;rio, ele completou seu contrato com Deus. </p><p>Hoje me dei conta de que ningu&#233;m nunca escreveu a hist&#243;ria desse <strong>super-her&#243;i sem capa</strong>, talvez a realidade da farda e do terno n&#227;o tenha tanta import&#226;ncia como a fic&#231;&#227;o que passa na tv. </p><p>Ele era um homem de uma &#250;nica palavra. </p><p>E em 34 anos de minha vida, eu encontrei poucos como ele. Inclusive ele era t&#227;o &#250;nico que algumas vezes dentro de mim, n&#227;o o compreendi - especialmente minha inner teenager que detestava abaixar a cabe&#231;a para seus comandos. </p><p>Eu n&#227;o sei muito sobre sua hist&#243;ria antes de ser pai - e hoje sendo m&#227;e, compreendo que somos uma pessoa antes e outra completamente diferente ap&#243;s tornarmos respons&#225;veis por outra cria&#231;&#227;o al&#233;m da nossa - mas do pouco que sei, sei que foi muito pobre. </p><p>Lembro de hist&#243;rias sobre como sua fam&#237;lia, muitas vezes, tinha apenas uma cebola e uma salsinha para dividir entre 6 pessoas, e como isso moldou-o a ter como foco n&#250;mero um n&#227;o deixar faltar alimento em casa.</p><p>Ele era at&#233; parecido com o &#8220;pai do Chris&#8221;, pois tinha 2 empregos fixos e fazia muitos outros freelancers. O que diminu&#237;a, muito, a sua presen&#231;a. </p><p>A sua aus&#234;ncia era sentida pela garotinha que fui. Mas a mulher que me tornei foi fruto de todas as li&#231;&#245;es morais que ele deixou, nos curtos 12 anos que pude desfrutar de sua presen&#231;a em minha vida. Hoje entendo, depois de muita terapia, que a vida tem um sabor &#8220;bitter-sweet&#8221; e reconhe&#231;o seus esfor&#231;os para abrir o caminho para que minha vida (e a de meus irm&#227;os) fosse poss&#237;vel.</p><p>Vendo o mundo atual, sinto falta de sua presen&#231;a, pois sei que existiam dentro daquele homem muitos valores que est&#227;o sendo perdidos pela nossa gera&#231;&#227;o. A for&#231;a, a estrutura, a coragem e a dignidade de um masculino que sabia cuidar de sua casa como um le&#227;o. </p><p>A voz desse homem era ouvida, sem nunca precisar gritar. Ele falava inclusive com os olhos, que me educaram muito mais do que os gritos do mundo. Ele inspirava. Era um homem forte, espiritualidade mais forte ainda. Mas como muitos homens, n&#227;o sabia se livrar das dores da alma, o que acredito que foi a maior respons&#225;vel pelo adoecimento do seu corpo f&#237;sico.</p><p>Eu tamb&#233;m pude presenciar o que &#233; a adora&#231;&#227;o m&#250;tua em um relacionamento - apesar de algumas brigas, eu via o tanto que meu pai e minha m&#227;e n&#227;o biol&#243;gica se adoravam, o tanto de devoc&#227;o havia entre eles.</p><p>Outra li&#231;&#227;o que pude aprender com esse her&#243;i sem capa: &#233; que n&#227;o podemos deixar os nossos sonhos para amanh&#227;, talvez o amanh&#227; nunca chegue. </p><p>Feliz aniversario.</p><p>E gratid&#227;o &#224; vida por 22 anos depois, poder me ajudar a compreender o que um dia tanto julguei. </p><p>E um conselho a mim mesma: &#192;s vezes a dor (a tristeza, a raiva, etc.) nos impede de ver o lado bom do outro, ou das hist&#243;rias. </p><p><strong>TUDO &#201; PARTE DO TODO.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ceWI!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2066af20-30f1-4de5-bc38-b7eb0fafcdb2_969x790.jpeg 848w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" 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type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu n&#227;o queria mais escrever aqui. <br>Embora eu saiba o quanto amo escrever. <br><br>Minha amiga me ligou esses dias, disse que leu meu texto sobre a preocupa&#231;&#227;o e que por coincid&#234;ncia ela passou por um processo parecido enquanto ela estava em uma cerim&#244;nia do Daime: quando a for&#231;a chegou, ela achou que tinha perdido a chave. Ela ent&#227;o se lembrou da minha experi&#234;ncia e conseguiu p&#244;r em pr&#225;tica os aprendizados daquela sess&#227;o. Disse tambem que conseguiu praticar no dia a dia.<br><br>Great! Essa &#233; a ideia mesmo que eu havia visto na for&#231;a, de trazer os ensinamentos aqui e que eles chegassem a que precisa. E com bastante entusiasmo, ela me pediu para continuar escrevendo. <br><br>Eu pude entao desabafar: </p><blockquote><p>N&#227;o estou conseguindo, parece que nada bom est&#225; saindo de dentro de mim. Come&#231;o a escrever e logo me torno muito cr&#237;tica. Come&#231;o a escrever e logo percebo que minha opini&#227;o est&#225; escolhendo um lado de alguma hist&#243;ria. Come&#231;o a escrever e percebo que quero gritar pedindo socorro por tudo que est&#225; acontecendo no mundo. N&#227;o posso e n&#227;o quero. N&#227;o &#233; seguro.</p></blockquote><p>N&#227;o &#233; seguro porque quando eu era adolescente, eu usei a escrita para aliviar a dor, a raiva e a tristeza que eu sentia - e isso um dia magoou algu&#233;m que me puniu por isso, ent&#227;o tenho medo de escrever e as pessoas se reconhecerem nas hist&#243;rias. </p><p>N&#227;o &#233; seguro porque quando eu era uma jovem adulta morando no Canad&#225;, o governo fazia propaganda para desencorajar o uso da internet e das redes sociais, que fez eu deletar meu blog com&nbsp;<em>3k views a day</em>. </p><p>N&#227;o &#233; seguro porque falar a verdade hoje em dia n&#227;o &#233; mais aceito. Nem pelo governo, nem pelas pessoas que convivem com voc&#234; diariamente. <br><br>Estamos em uma era onde preferimos &#8220;fingir de morto&#8221; e n&#227;o falar sobre os assuntos - na ilus&#227;o de que vamos evitar problemas. Enquanto nos afogamos nas palavras n&#227;o ditas e n&#227;o escritas. </p><p>Talvez realmente n&#227;o seja seguro. </p><p>Mas essa amiga que me ligou, ela &#233; paulista como eu, o que me lembrou que na selva de pedra n&#227;o temos tempo para perder com medo. Essa liga&#231;&#227;o dela tamb&#233;m assim, t&#227;o despretensiosa, me lembrou que Deus usa as pessoas ao nosso redor para mandar os recados. </p><p>Ent&#227;o estou aqui eu, escrevendo sobre o meu medo, com o meu medo, talvez para aliviar um pouco, talvez para me acostumar um bocado mais, talvez para te lembrar que tem alguns passos na vida que a gente tem que dar, enquanto sentimos medo mesmo.<br><br>E &#233; isso,</p><p></p><p>Com amor<br>Milla Dalbem</p><p><br></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Som da Preocupação]]></title><description><![CDATA[O que aprendi ao ouvir o choro do meu filho em uma cerim&#244;nia de Ayahuasca]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/o-som-da-preocupacao</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/o-som-da-preocupacao</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Thu, 08 Jan 2026 22:06:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/99a72154-33cc-41de-a7ca-6dba0aab7cf0_5472x3648.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A maioria das pessoas que me acompanham sabe que sou praticante do xamanismo e que consagro Ayahuasca com frequ&#234;ncia. Um dos motivos pelos quais decidi voltar a escrever &#233; porque tenho incont&#225;veis folhas com aprendizados que recebi durante as cerim&#244;nias.</p><p>Aprendo muito sobre as emo&#231;&#245;es &#8212; sobre como perceb&#234;-las, reconhec&#234;-las e contornar algumas delas. Muitas mira&#231;&#245;es que vivi encontraram lugar no papel. Hoje, quero compartilhar uma li&#231;&#227;o sobre a <strong>PREOCUPA&#199;&#195;O</strong>.<br></p><h2><br>A mira&#231;&#227;o</h2><p>Eu estava participando de uma cerim&#244;nia, sentada em meu lugar, recebendo minhas mensagens, aprendendo sobre o mundo, quando, de repente, escuto o choro de uma crian&#231;a. Pior: parecia que eu ouvia o choro do meu filho.</p><p>O &#243;bvio aconteceu &#8212; meu sistema de alerta foi imediatamente ativado. Levanto a cabe&#231;a e come&#231;o a olhar ao redor, tentando reconhecer onde estou, buscando o olhar do meu filho ou de qualquer outra crian&#231;a. N&#227;o encontro ningu&#233;m. At&#233; porque&#8230; n&#227;o h&#225; crian&#231;as no local da cerim&#244;nia.</p><p>Lembrar que n&#227;o havia crian&#231;as ali piora um pouco a situa&#231;&#227;o. A preocupa&#231;&#227;o come&#231;a a tomar forma:</p><p>&#8220;Ser&#225; que meu filho est&#225; chorando?&#8221;<br>&#8220;Mas ele deveria estar dormindo a essa hora&#8230;&#8221;<br>&#8220;Ser&#225; que ouvir o choro dele significa que ele est&#225; passando por alguma dor emocional ou por algo que eu n&#227;o percebi?&#8221;</p><p>O que antes era apenas <strong>preocupa&#231;&#227;o</strong> se intensifica. Fico inquieta. J&#225; n&#227;o consigo ficar confort&#225;vel na minha posi&#231;&#227;o. N&#227;o consigo mais ter nenhuma mira&#231;&#227;o que n&#227;o seja pensar no meu filho. A ansiedade chega tomando conta, e agora meu corpo quer se mexer, levantar, andar, ir embora dali e pegar o carro para ir encontr&#225;-lo.</p><p>Sinto-me como uma novata querendo sair da cerim&#244;nia, mesmo sabendo que isso n&#227;o &#233; poss&#237;vel (risos).</p><p>Nessas horas, agrade&#231;o por j&#225; ter consagrado tantas vezes e por conhecer um pouco dos &#8220;truques&#8221; e das formas de comunica&#231;&#227;o da medicina. Respiro fundo e fa&#231;o a pergunta que eu deveria ter feito desde o come&#231;o:</p><p><strong>&#8212; O que eu tenho para aprender com essa situa&#231;&#227;o? Com ouvir meu filho chorar?</strong></p><p>E ent&#227;o, o aprendizado vem.<br></p><h2>O ENSINAMENTO</h2><div class="pullquote"><p>Quando vem um pensamento de preocupa&#231;&#227;o, voc&#234; primeiro &#8220;take note and acknowledge&#8221;*. Racionaliza por um segundo se aquele &#233; um pensamento real e se tem embasamento ou se &#233; apenas uma distra&#231;&#227;o. Se voc&#234; concluir que &#233; distra&#231;&#227;o - para te ajudar a sair da cadeia de repeti&#231;&#227;o de pensamentos compulsivos -,<strong> voc&#234; deve imediatamente focar na respira&#231;&#227;o</strong> que o c&#233;rebro vai entender que n&#227;o &#233; algo que o c&#233;rebro precisa trazer de volta. <br>Repete para cada preocupa&#231;&#227;o que vier. <br><strong>O excesso de preocupa&#231;&#227;o pesa e te paralisa.</strong></p></div><p></p><h2>O APRENDIZADO</h2><p></p><p>E foi exatamente isso que eu fiz.</p><p>Primeiro, nomeei a emo&#231;&#227;o de forma adequada:<br><strong>&#8220;Estou preocupada.&#8221;</strong><br>Ao nome&#225;-la, reconhe&#231;o a presen&#231;a dela no meu sistema nervoso.</p><p>Depois, racionalizei. Perguntei a mim mesma se havia motivos reais para aquela preocupa&#231;&#227;o:<br>&#8220;Existe algum risco real que meu filho esteja correndo?&#8221;</p><p>A resposta foi clara: <strong>n&#227;o</strong>.</p><p>Eu o havia deixado em um lugar seguro, com algu&#233;m de absoluta confian&#231;a &#8212; tanto minha quanto dele. Ele estava saud&#225;vel. N&#227;o havia nenhum peso ou situa&#231;&#227;o acontecendo na vida dele que eu n&#227;o tivesse percebido. Se houvesse, quando perguntei qual era o aprendizado, a resposta teria vindo ali.</p><p>O que minha consci&#234;ncia queria me ensinar era algo diferente:<br>aprender a <strong>perceber, regular e driblar melhor meus momentos de preocupa&#231;&#227;o</strong>.</p><p>Essa foi a forma que ela encontrou para me trazer a li&#231;&#227;o.</p><p>Quando o aprendizado chegou, consegui me acalmar. Em seguida, ouvi claramente:<br><strong>&#8220;Escreva.&#8221;</strong></p><p>Mesmo ainda tomada pela for&#231;a da experi&#234;ncia, peguei papel e caneta e registrei aquela mira&#231;&#227;o. Para que hoje ela pudesse servir como lembrete para mim &#8212; de como lidar melhor com minhas preocupa&#231;&#245;es &#8212; e tamb&#233;m para que essa &#8220;li&#231;&#227;o medicinal&#8221; pudesse chegar a quem mais precisar dele.</p><p>Sou grata por aprender.<br>E por poder compartilhar.</p><p>Com amor,<br><strong>Milla Dalbem</strong><br><br></p><div><hr></div><h4><strong>Notas</strong>:</h4><p><br>Estou muito feliz de poder escrever esse texto, pois h&#225; muitos anos a Ayahuasca vem pedindo que eu escreva todos os meus aprendizados, e sempre me explica &#8220;Ayahuasca &#233; para todos, mas nem todos s&#227;o para ayahuasca&#8221; - afinal, muitos n&#227;o t&#234;m acesso, ou n&#227;o conseguem tirar proveito da parte psicod&#233;lica do processo. Ent&#227;o ela me pede para que eu escreva esses aprendizados, deixando claro que eles n&#227;o s&#227;o meus, por&#233;m eles podem chegar ao mundo atrav&#233;s de mim. Embora ela me mostre que devo escrever um livro, ela tamb&#233;m me diz que esse conte&#250;do tem que chegar a todos, independentemente da capacidade financeira de cada um. <br><br>Portanto, tenho um acordo espiritual de postar tudo aqui, de forma GRATUITA, ou seja, nenhum post deste tema ser&#225; bloqueado para assinantes - <strong>POR&#201;M, a sua assinatura aqui vai me ajudar a ter os recursos necess&#225;rios para continuar a servi&#231;o</strong> - por mim, por n&#243;s e pela humanidade em fase de transi&#231;&#227;o. <br></p><div><hr></div><p><br>1. Take note - significa anotar, registrar<br>2. Acknowledge - reconhecer. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Espiritualidade Que Acontece no Quarto, na Mesa e no Silêncio]]></title><description><![CDATA[Um lembrete de que a verdadeira medicina come&#231;a dentro de casa]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/a-espiritualidade-que-acontece-no</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/a-espiritualidade-que-acontece-no</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Wed, 07 Jan 2026 14:40:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/72cd50bc-be62-4eef-9454-cb05d9dbf0a3_1920x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Um lembrete de que a verdadeira medicina come&#231;a dentro de casa</p><p></p><p>Ontem eu recebi um dos melhores presentes que algu&#233;m pode ganhar.</p><p>E, apesar de ter sido profundamente importante, por um momento me faltaram palavras para descrev&#234;-lo.</p><p></p><p>N&#227;o era nada material. E talvez muitas pessoas que lerem isso n&#227;o compreendam completamente o que vou contar. Ainda assim, &#233; uma mem&#243;ria que eu n&#227;o quero esquecer.</p><p></p><p>Est&#225;vamos deitados na cama &#8212; meu companheiro, meu filho e eu. Amontoados, como gostamos de ficar. Organiz&#225;vamos a ordem do banho porque era meu anivers&#225;rio e ir&#237;amos jantar em um dos meus restaurantes favoritos, o <strong>Nu Kitchen</strong>.</p><p>De repente, meu companheiro disse:</p><p></p><blockquote><p>&#8220;Agora eu gosto desse neg&#243;cio de fam&#237;lia.</p><p>Foi voc&#234; quem me ensinou a import&#226;ncia disso &#8212; e o quanto isso &#233; bom.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Na hora, n&#227;o dei tanta import&#226;ncia. Foi s&#243; uma frase.</p><p>Mas ela <em>landed</em> algumas horas depois, de um jeito &#250;nico. E vou tentar explicar o porqu&#234;.</p><p></p><p>Venho me dedicando ao trabalho com as medicinas da floresta h&#225; quase seis anos.</p><p>&#201; uma dedica&#231;&#227;o que vai muito al&#233;m das cerim&#244;nias. &#201; trabalho, estudo, integra&#231;&#227;o, presen&#231;a.</p><p>E eu amo isso profundamente.</p><p></p><p>Eu me entrego tanto, que muitas &#225;reas da minha vida acabam ficando em segundo &#8212; &#224;s vezes em terceiro plano.</p><p></p><p>Mas, nos &#250;ltimos dois anos, o chamado para olhar para a minha fam&#237;lia veio com for&#231;a.</p><p></p><p>Primeiro, comecei a ouvir nas minhas jornadas:</p><p></p><blockquote><p><strong>&#8220;N&#227;o adianta ajudar 300 pessoas em um ano se voc&#234; n&#227;o cuidar da sua casa primeiro.&#8221;</strong></p></blockquote><p></p><p>Naquele momento, isso dizia respeito principalmente ao meu filho.</p><p>N&#227;o adianta querer cuidar das feridas do mundo, da fam&#237;lia dos outros, das dores que est&#227;o fora, se dentro da minha pr&#243;pria casa eu falho por n&#227;o estar presente o suficiente.</p><p></p><p>Naquela &#233;poca, meu companheiro ainda n&#227;o fazia parte da minha vida.</p><p>Mas, em 2025, ele j&#225; estava ali &#8212; se tornando parte da fam&#237;lia que Benjamin e eu j&#225; v&#237;nhamos construindo.</p><p></p><p>E ent&#227;o eu precisei ouvir algo ainda mais dif&#237;cil da medicina:</p><p></p><blockquote><p><strong>&#8220;PARE.&#8221;</strong></p></blockquote><p></p><p>Foi um choque.</p><p>Com tanto amor e dedica&#231;&#227;o colocados no meu trabalho, como eu poderia estar sendo convidada a me retirar?</p><p></p><p>Eu n&#227;o entendi.</p><p>Mas confiei.</p><p></p><p>Eu sempre digo nos grupos de integra&#231;&#227;o:</p><p>existem vis&#245;es que n&#227;o v&#234;m acompanhadas de respostas imediatas.</p><p>Mais pe&#231;as ainda precisam entrar no tabuleiro para que a imagem se revele por completo.</p><p></p><p>Confiei &#8212; mesmo doendo.</p><p>Mesmo chorando por muitas noites sem entender.</p><p>Eu sabia, no fundo, que aquilo era o melhor.</p><p></p><p>O ano que passou, vivido em um ritmo mais lento, foi essencial.</p><p>Porque s&#243; assim eu pude focar <strong>verdadeiramente</strong> na estrutura familiar que eu desejava criar.</p><p></p><p>Juntos, criamos h&#225;bitos.</p><p>Rotinas.</p><p>Aprimoramos nossa comunica&#231;&#227;o.</p><p>Fortalecemos o v&#237;nculo.</p><p></p><p>E ontem, ao ouvir aquela frase simples, eu finalmente enxerguei <em>the big picture</em> &#8212; algo que antes ainda n&#227;o estava vis&#237;vel para mim.</p><p></p><p>&#192;s vezes, a vida precisa nos desviar do caminho inicial para que possamos chegar &#224; terra prometida.</p><p>E como n&#227;o conseguimos enxergar grandes dist&#226;ncias, precisamos confiar em quem nos conduz.</p><p></p><p>Hoje eu me sinto fortalecida.</p><p><strong>Porque aprendi o que realmente importa</strong>.</p><p></p><p>O trabalho come&#231;a sempre em casa.</p><p></p><p>Como diz o princ&#237;pio da correspond&#234;ncia, descrito em <a href="chatgpt://generic-entity?number=0">O Caibalion</a>:</p><p></p><blockquote><p>&#8220;Assim como &#233; em cima, &#233; embaixo.</p><p>Assim como &#233; dentro, &#233; fora.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Se eu quiser mudar o mundo, come&#231;o comigo.</p><p>Depois, com a minha casa.</p><p>S&#243; ent&#227;o o meu exemplo pode, de forma silenciosa, inspirar algu&#233;m.</p><p></p><p>J&#225; me iludi achando que poderia ajudar os outros apenas dizendo o que fazer &#8212;</p><p>mas isso fica para uma pr&#243;xima conversa &#128579;</p><p></p><p>Antes de voc&#234; ir, deixo um convite:</p><p></p><p>Pergunte a si mesmo, e responda com <strong>bruta sinceridade:</strong></p><p>a sua &#8220;casa&#8221; est&#225; organizada&#8230;</p><p>ou voc&#234; a abandonou na bagun&#231;a?</p><p></p><p>Lembre-se: espiritualidade n&#227;o se pratica apenas na cerim&#244;nia, no ritual ou no rap&#233; matinal.</p><p>Ela se vive todos os dias &#8212; na rotina, nas rela&#231;&#245;es, na forma como cuidamos do que &#233; nosso.</p><p></p><p>&#128073;&#127996; Se fizer sentido, compartilhe este texto com algu&#233;m que tamb&#233;m esteja aprendendo a voltar para casa.</p><p></p><p>&#129782;</p><p>Com amor </p><p>Milla Dalbem</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu Escolho Escrever]]></title><description><![CDATA[Tem muitas coisas que eu sei sobre mim, mas uma delas eu quero compartilhar aqui hoje porque &#233; meu anivers&#225;rio &#10024;]]></description><link>https://www.milladalbem.com/p/comeco-ou-recomeco</link><guid isPermaLink="false">https://www.milladalbem.com/p/comeco-ou-recomeco</guid><dc:creator><![CDATA[Milla Dalbem]]></dc:creator><pubDate>Tue, 06 Jan 2026 13:39:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7898540b-364d-4015-bb36-0d4f3ccd6d18_4608x3072.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tem muitas coisas que eu sei sobre mim, mas uma delas eu quero compartilhar aqui hoje porque &#233; meu anivers&#225;rio  &#10024;</p><p></p><p><strong>EU AMO ESCREVER</strong> e essa muitas vezes foi a minha salva&#231;&#227;o, algumas outras vezes a escrita foi minha &#250;nica amiga capaz de &#8220;hold space&#8221; para as minhas emo&#231;&#245;es e o &#250;nico lugar seguro aonde eu podia expressar aquilo que havia de bom e de ruim em mim. </p><p>Acredito que como muitos por a&#237; no mundo,  eu tamb&#233;m temi (e as vezes ainda temo) meu pr&#243;prio dom.<strong> A escrita me permite ser aut&#234;ntica, verdadeira</strong> e as vezes a nossa verdade incomoda. </p><p>Quando adolescente, eu tinha muita raiva da vida, muita dor no peito, e diversas vezes usei <strong>a escrita como terapia</strong>. Eu colocava m&#250;sica alta nos ouvidos para silenciar os pensamentos e deixava que as palavras apenas flu&#237;ssem atrav&#233;s do teclado de um computador que tinha acesso &#224; internet discada. Ap&#243;s por para fora a raiva e a frustra&#231;&#227;o, eu lia tudo aquilo e apagava. Um dia eu fui &#8220;pega&#8221; escrevendo minhas dores e fui &#8220;punida&#8221;. Criei ent&#227;o o medo. </p><p>No come&#231;o da vida adulta, usava minha escrita como <strong>uma express&#227;o art&#237;stica.</strong> Comecei um blog, que tinha muitas visualiza&#231;&#245;es di&#225;rias. E eu amava dedicar tempo ali. Mas mais uma vez tive minhas asas cortadas. Naquela &#233;poca eu morava no Canad&#225; e o governo come&#231;ou a fazer publicidade dizendo sobre os &#8220;riscos&#8221; da exposi&#231;&#227;o na internet. Deletei meu blog. </p><p>Quando meu filho nasceu, senti vontade de voltar a escrever, mas estava bloqueada.</p><p>Quando comecei a consagrar ayahuasca, um dia pedi para saber qual era meu dom &#8220;a escrita&#8221; foi a resposta, mas para eu desenvolver meu dom, eu precisava largar meu v&#237;cio no &#225;lcool e nas drogas. </p><p>Eu larguei. Mas n&#227;o voltei a escrever. </p><p>J&#225; quis muitas vezes voltar a escrever, seja para liberar espa&#231;o no peito ou fosse para expressar minha criatividade e as vezes, coisas incr&#237;veis passam por mim. Algumas eu compartilho. Outras tantas n&#227;o deixaram de habitar apenas meu bloco de notas. </p><p>Hoje eu completo 34 anos. Nas &#250;ltimas semanas me perguntei, quanto mais tempo ser&#225; que ainda tenho em vida? Ser&#225; que terei tempo de ensinar meu filho todas as coisas que eu adoraria ensina-lo? Meus pais biol&#243;gicos se foram antes mesmo que eu pudesse aprender algo sobre a vida com eles. E diante da imperman&#234;ncia da vida, decidi que hoje seria o retorno de um h&#225;bito que tanto me faz bem - escrever. </p><p>O mundo est&#225; chato. A internet est&#225; cheia de v&#237;deos que n&#227;o s&#227;o reais. Pessoas vazias espalhando ideias separatistas, &#243;dio sendo distribu&#237;do por a&#237; e eu aqui escondendo para mim, as milhares de formas que a espiritualidade me ensina sobre como driblar minha alma de tudo isso. Me pergunto &#8220;ser&#225; que &#233; justo que meu medo me bloqueie de fazer o que eu mais amo?&#8221; </p><p>Ent&#227;o, no meu banho de ontem eu decidi que n&#227;o vou mais deixar tudo isso escondido, nos pap&#233;is que ningu&#233;m vai ler e nem que se percam em meu peito - &#233; como vida que se esvai. </p><p>Outra coisa que sei sobre mim &#233; que acordos p&#250;blicos, me ajudam a ser consistente. Ent&#227;o, vou postar, todos os dias, por 90 dias, para que se torne um h&#225;bito. </p><p>Que a escrita que flui atrav&#233;s de mim, chegue at&#233; quem tem que chegar, ou que sirva de di&#225;rio, se um dia eu morrer, meu filho poder vir aqui e conhecer peda&#231;os de mim que ele n&#227;o teve oportunidade de presenciar. </p><p></p><p>&#8230;&#8230;</p><p></p><p>Se fizer sentido para voc&#234; acompanhar minhas loucuras, te recebo de cora&#231;&#227;o aberto e voc&#234; pode se inscrever para n&#227;o perder nada. Se for muita coisa para voc&#234;, voc&#234; pode visita essa p&#225;gina quando sua curiosidade falar mais alto - estarei deixando de alimentar minhas outras redes sociais, para focar nos caminhos que me aproximam de quem quero me tornar! </p><p></p><p>&#129782;</p><p>Com amor </p><p>Milla Dalbem</p><p></p><p>* hold space - &#8220;segurar o espa&#231;o&#8221;</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>